segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ainda é tempo...


Fonte: Google imagens


Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer...
Devia ter arriscado mais, ter errado mais, ter feito o que eu queria fazer...
As frases dessa música são um convite à reflexão sobre quem somos, como estamos vivendo e o que podemos fazer para viver melhor.
Não é difícil retroceder no tempo e lembrar das vezes que deixamos de demonstrar nosso amor, das vezes em que seguramos o choro por querermos demonstrar que éramos fortes,  quando  o que mais queríamos era simplesmente deixar as lágrimas rolarem até nos sentirmos aliviados.
Quantas vezes deixamos de aproveitar pequenas coisas que a vida estava nos oferecendo  por simplesmente julgá-las sem importância? Sem falar de todas as vezes que criticamos alguém ou ficamos furiosos ao sermos criticados. Quantas coisas não deixamos de fazer?
Quanto tempo gasto dando importância a coisas sem importância?
Quantas alegrias deixamos de viver para darmos espaço à tristeza e ao rancor?
E as mágoas que se apoderaram por dias, meses e até anos das nossas vidas, afastando  pessoas que amávamos por simplesmente pensarem diferentes de nós e permitimos que este espaço de tempo se transformasse em uma cratera imensa?
Se pararmos para refletir podemos analisar quantas inutilidades nós armazenamos. Perdemos um tempo enorme alimentando sentimentos nocivos ao nosso corpo e espírito.
Mas existe uma notícia boa: ao contrário da música que foi inspirada em frases escritas em lápides de cemitério, estamos vivos!!! Isso, estamos vivos!!!! Podemos nos inspirar na música para buscar mudanças: amar mais, chorar mais, arriscar mais, fazer o que se quer fazer. Aceitar as pessoas como elas são, parar de julgar, respeitar as opiniões não significa acatá-las, apenas entender que cada um sabe as alegrias e as tristezas que traz no coração.
Cuide de você, se autoavalie e no momento em que você se ofender com uma opinião contrária à sua, pare, pense e reflita: se  você se julga certo o outro também está se julgando correto e se sentindo no direito de se ofender por sua opinião ser contrária a dele, pois cada um tem seu espaço, o que difere é a coerência que se faz mais presente em uns do que em outros.
Portanto, busque tornar a vida mais leve, tranquila e feliz e veja que mesmo nas adversidades sempre encontramos algo que nos faz sorrir, mesmo que seja vendo o sol se por...

Vilma Prado






Estudante de psicologia e PNL (Programação neurolinguística).  Amante da psicologia comportamental. Diagnosticada em 2014 com TAG (transtornos de ansiedade generalizada), saiu em  busca pelo autoconhecimento e aprendeu que sua felicidade depende apenas dela mesma. Libertação, superação e determinação a definem.




segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Você é preconceituoso?


Fonte: Google imagens

Dizer que não somos preconceituosos é uma alienação da sociedade. O preconceito é o pré-julgamento de tudo aquilo que ainda não se conhece a fundo.

Antes de aceitar minha orientação sexual eu era extremamente preconceituoso com tudo que este assunto engloba. Nunca tive dúvidas de quem eu realmente era, porém não aceitava.

Meu erro, por um longo tempo, foi lutar contra quem eu era de verdade, ou seja, lutar contra mim mesmo. Com uma opinião formada perante a sociedade na qual vivia e criado por uma família totalmente tradicional, tudo que vinha à minha cabeça vinha em formato de ponto de interrogação, como se as minhas vontades fossem um crime. No momento em que aceitei minha orientação tudo começou a fluir normalmente, mais leve. Descobri que os desafios são mais simples de serem resolvidos em partes do que como um todo! Comecei a enxergar que as diferenças também são bem-vindas às vezes. Quebrando tabus e ideologias padrões com o meio com o qual me socializava, fui percebendo que o mundo talvez não seja tão "uniforme" assim.

As pessoas, de um modo geral, têm uma carência oculta que ao se depararem com alguém confiante e seguro de si próprio tendem a se sentirem acuadas. Acredito que seja uma forma de autodefesa, como se as diferenças não pudessem ser iguais ou melhores, talvez seja um meio de se sentirem mais confortáveis. Uma pessoa segura de si não se abala por tão pouco.

Não me deixo levar por comentários, julgamentos incoerentes e ataques, amar-se é a melhor arma contra tudo aquilo que não nos traz a felicidade.

Bruno Andrade
Estudante de Psicologia





Estudante de Psicologia, se apaixonando pela área neurológica. Nascido e criado na Zona Leste de São Paulo, quando criança já se identificava com gostos incomuns para o "gênero masculino" e, como qualquer coisa incomum (perante a sociedade), sofreu preconceitos e rompeu barreiras para o próprio crescimento. Generosidade, igualdade e superação o descrevem.





quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Exercícios de fisioterapia: mais uma série


Fonte: https://unichristus.edu.br/graduacao/fisioterapia/

No post de hoje, continuo com a série exercícios de fisioterapia, trazendo mais alguns exercícios que aplico com meus pacientes e os músculos trabalhados por cada um deles:

1) Elevação de quadril

Músculos trabalhados: 
- quadríceps
- isquiostibiais
- iliopsoas
- glúteo
- tibial anterior
- gastrocnêmios
- abdôme

Fonte: acervo pessoal
Fonte: acervo pessoal

Fonte: acervo pessoal
2) Elevação de quadril

Músculos trabalhados:
- reto-femoral
- isquiostibiais
- iliopsoas
- glúteo
- tibial anterior
- gastrocnêmios
- abdôme

Fonte: acervo pessoal

Fonte: acervo pessoal
Ricardo Cezar Carvalho
Fisioterapeuta







Sou Ricardo Cezar Carvalho, fisioterapeuta, especialista em neurologia funcional e especialista em acupuntura. Trabalho com pacientes com Esclerose Múltipla há 16 anos. Realizei vários congressos e palestras sobre a Fisioterapia na Esclerose Múltipla.





quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Nenhum esclerosado é coitadinho!


Fonte: http://www.pictame.com/tag/coitadismo


Somos mais fortes do que imaginam, ou imaginamos!

Temos que ter forças para cuidar da casa, tomar banho, ficar em pé etc.

Não é pouca coisa não quando parece que você está carregando nas costas 1.000 Kg!

A esclerose múltipla nos assustou, sim. E ainda assusta. Mas todos os dias lutamos contra ela. Nos entregar está fora de cogitação! Tá certo que têm momentos em que choramos, que achamos que não vamos dar conta. Mas ela veio para nos mostrar que somos fortes!!! Veio para nos superarmos a cada momento! Devemos ficar felizes!!! E chorar é até bom, pois limpa nossa alma. Sem contar que a tristeza, além de nos deixar para baixo, piora o nosso quadro, nos deixando mais vulneráveis ainda.

Não estou falando para fazer ou se esforçar em fazer as coisas. Estou falando para nos aceitarmos, aceitarmos nossas limitações de agora. E tudo bem se não dá para fazer agora. Faça daqui a pouco. Passe por cima de seu orgulho e peça ajuda a quem estiver por perto, mesmo se essa pessoa pensar ou chegar a falar que você é preguiçoso.

Ninguém consegue mensurar o que sofremos em querer fazer algo e não conseguirmos. Somente nós mesmos sabemos o que é! Então... liberte-se, se dispa do que os outros acham ou pensam sobre você e SEJA FELIZ! Do seu jeito, da sua maneira, com suas limitações.


A Esclerose Múltipla não nos fez COITADINHOS! Ela está nos fazendo mais FORTES!!!



Isamara Cardoso Pimentel



Publicitária aposentada por invalidez

Diagnosticada com esclerose múltipla desde 2007







terça-feira, 26 de setembro de 2017

Qual a importância de um amigo para a vida de uma pessoa?


Fonte: amenteemaravilhosa.com.br


"Abençoados os que possuem amigos, 
os que os têm sem pedir, porque 
amigo não se pede, não se compra 
nem se vende. Amigo a gente sente!". 
(Isabel Machado)

Você já parou pra pensar quantos e quais são os seus verdadeiros amigos? E, o quão essenciais eles são na sua vida?

A amizade faz bem para o coração, uma vez que os amigos nos ajudam a superar os problemas, nos dão carinho, nos aconselham e estão ao nosso lado sempre que precisamos. 

Uma amizade verdadeira é aquela que supera os obstáculos, tornando-se mais forte a cada dia que passa e, mesmo com a distância, se mantém firme e inabalável.

Portanto, devemos valorizar os amigos que conquistamos, pois são bens preciosos, um tesouro sem preço, valioso demais para ser perdido, cujo valor é incalculável. Nada é comparável a um amigo fiel.



Walcilene Saraiva Gomes
Professora



Nascida em Manaus, 43 anos, mãe de 2 filhos: Delice de 18 anos e Gabriel de 15 anos. Casada há 20 anos com Carlos Alberto, é professora licenciada da Secretaria Municipal de Educação de Manaus, graduada em pedagogia. Diagnosticada com esclerose múltipla em agosto de 2012.



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A vida que escolho viver...


Fonte: http://obviousmag.org/carpinteiros_do_universo/2017/atreva-se.html

Há quem pense que quando nos propomos a seguir vivendo apesar do diagnóstico da EM que, em nós, os sintomas da patologia são mais leves ou inexistentes. Não pode haver engano maior. Somos tão assolados pela nossa companheira múltipla como todas as demais pessoas que a possuem.

Falando por mim, as dores, fadiga e todo o restante da pesada bagagem continuam presentes (muito presentes) em minha vida. Existem dias realmente complicados, dias em que faço um esforço sobre-humano para honrar compromissos inadiáveis e, no dia seguinte, acabo pagando um preço alto, acrescido de juros abusivos e correção monetária por não respeitar os limites que a esclerose múltipla tenta impor.

Minha neurologista me dá “puxões de orelhas” praticamente em todas as consultas porque  vou quase sempre além do que deveria. Ela acompanha minha movimentação na ABCEM e o que não fica sabendo minha irmã sempre conta (rsrs). A bronca vem em dobro.

Levo uma vida muito ativa, talvez mais do que o recomendado, mas eu não me permito parar e, confesso, que por um medo que me ronda desde o dia em que soube o que estava me acompanhando por quase uma vida, o medo da dependência. Eu tenho muito medo de perder minha autonomia, medo de parar e criar raízes, medo de me entregar à autopiedade, medo de deixar a EM dar as cartas...

Penso que talvez seja por isso que me esforço para não desistir dos meus projetos, que me dedico tanto ao voluntariado, que exijo tanto de mim (sou extremamente perfeccionista em tudo que me proponho a fazer). Estou certa em agir assim? Não sei, a única certeza que tenho é de que não há certo ou errado, que cada ser humano é único, que as formas de enfrentamento são as mais diversas possíveis e que cada um convive da melhor forma que lhe é possível com a EM.

Bete Tezine


Advogada





Nascida em Santo André, 49 anos, mãe de dois filhos (Carol e Guilherme), advogada, professora de artes plásticas, atual presidente da ABCEM e esclerosada oficial há 68 meses.






sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Co-construção do tratamento da EM


Fonte: Pinterest.com 

No campo da pesquisa científica, os estudos sobre Esclerose Múltipla (EM) desenvolvem-se sobretudo a partir de um olhar biomédico, em que se enfatiza a importância de compreender fisiologicamente as causas, o percurso e os possíveis tratamentos para a EM. 

As pesquisas no campo biomédico apresentam historicamente o que é chamado de visão positivista na ciência. Sob este olhar, entre outras coisas, há a doença enquanto alvo a ser considerado, havendo um tratamento racional e objetivo direcionado a essa doença, que provém sobretudo do conhecimento do profissional.

Se há a centralidade do olhar biomédico nos estudos sobre a EM, há em contrapartida a necessidade de compreender a EM de maneira co-construtivista, ou seja, a partir de um olhar em que se compreende o tratamento como construído ao longo do contato entre paciente-profissional, a partir também (e principalmente, na verdade) das próprias experiências dos pacientes, não centralizando a origem dos conhecimentos no assunto ao profissional em si. Essa importância à pesquisa construtivista e não verticalizada é uma forma de olhar a ciência; há quem discordará. Contudo, crescem os olhares concordantes na literatura científica. 

Em 2009, foi publicado um dos poucos estudos nas bases de dados científicos que é sobre a vivência da EM compreendida a partir de relatos de pessoas diagnosticadas (Fernandes, 2009). Os resultados de trabalhos assim ampliam o olhar do profissional em saúde, subsidia condutas mais humanizadas e também mais eficientes, justamente por considerar a vivência prática da doença. Ademais, podem ser uma fonte do sentimento de autocompreensão para pacientes. No estudo de Fernandes (2009), 8 pacientes com EM foram entrevistados, e a partir destas entrevistas sete temas centrais foram construídos, a fim de apresentarem os sentidos e significados atribuídos ao sofrimento com a EM por estes pacientes. Foram eles: “Sofrimento Físico”, “Sofrimento Psicológico”, “Sofrimento Sócio-relacional”, “Sofrimento Existencial”, “Experiências Positivas de Sofrimento”, “Estratégias de Adaptação” e “Expectativas Futuras”.

Os sofrimentos físicos (dor, desconforto, sensação de falta de vigor) atrelados às incertezas do diagnóstico e possíveis limitações de convivência, ou à exposição ao olhar do outro em momentos de cansaço, por exemplo, predispuseram, segundo os relatos, aos sofrimentos psicológicos e sócio-relacionais. Nestes últimos sofrimentos, pode haver a dificuldade do paciente em se reconhecer identitariamente, por exemplo porque as sensações físicas parecem limitar, segundo a visão das pessoas com EM entrevistadas, o fazer e o ser por inteiro.

Apesar das sensações de sofrimento, o autor apontou que as pessoas têm em si o potencial de contornar tais sofrimentos. As “Estratégias de adaptação” e as “Expectativas Futuras” apresentam justamente formas encontradas ou percebidas pelos entrevistados enquanto eficientes para sentirem-se encorajados a viverem com a EM. Entre estas estratégias e expectativas, os entrevistados citaram: viver um dia de cada vez; ser perseverante; ajudar a outras pessoas que apresentam a EM também; procurar distrações e atividades prazerosas; perceber-se em uma rede de apoio; ter uma experiência positiva do sofrimento, revalorizando a vida e seus momentos de felicidade (mesmo que aparentemente pequenos) e, por fim, decidir  finalizar projetos.

Escolhi a figura deste post, pois ela parece mostrar a pluralidade de olhares que cada ser humano tem, os quais construímos e utilizamos conforme o contexto e as relações em que estamos. Todos os olhares que você constrói e direciona para a EM são importantes na construção do tratamento.

É necessário enfatizar a importância do compartilhamento de saberes entre profissionais e pacientes, e pacientes entre pacientes, a fim da construção eficaz do tratamento da EM. Não se trata de você ir ao profissional da saúde, trata-se de você construir seu tratamento com o profissional da saúde. O que você sofre e o que você vive em felicidade são as bases do tratamento e da construção da sua qualidade de vida.

Fernanda Sabatini
Nutricionista
Mestre em Ciência pela Universidade de São Paulo-USP

Referências
Fernandes RD. Vivências de pessoas com esclerose múltipla [Dissertação]. Coimbra:Universidade de Coimbra. 2009.






Nutricionista graduada pela Universidade Federal de São Paulo. Membro do Grupo de pesquisa em alimentação e cultura (GPAC) e mestre em Ciência pela USP - Universidade de São Paulo.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Mais respeito, por favor!



Fonte: http://www.newsrondonia.com.br/noticias/o+respeito+faz+a+diferenca/58426

No post de hoje, falarei sobre alguns dos medos que a esclerose múltipla nos traz. Mas, dessa vez, não são os medos das sequelas, dos surtos, ou do que ela pode acarretar em nossas vidas. Hoje, eu quero falar do medo que nós sentimos  da visão de terceiros em relação a nós, por exemplo quando sentimos fadiga, cansaço, indisposição, e afins...

Por inúmeras vezes, eu me sacrifiquei e me esforcei além do que eu podia por medo de ser vista como "preguiçosa", "exagerada". É difícil de explicar, pois só quem tem a doença sabe o quão invisível ela é. Eu posso estar aparentemente normal exteriormente, mas por dentro estar com uma fadiga intensa.

Na semana passada, fiquei bem triste pela forma que a cantora Lady Gaga foi tratada por cancelar sua ida ao Rock in Rio por estar sofrendo com sintomas de fibromialgia. A cantora também possui lúpus, doença autoimune.  Sei que, no caso dela, não se trata de Esclerose múltipla, mas o sentimento de tristeza pela reação negativa das pessoas em relação a ela refletiu em mim, porque eu sei que é disso que temos medo; é sobre esse tipo de reação alheia que eu me refiro.

Mais respeito, por favor! 


Pérola Diniz Pessanha
Estudante de Direito


Meu nome é Pérola, tenho 20 anos e tenho EM desde os 19. Sou estudante de Direito e apaixonada pela vida.





quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O direito de ficar triste

Fonte:  http://obviousmag.org/cinema_pensante/img038.jpg

Olá amores! 

Quem já me conhece sabe que sou muito pensativa. Penso em milhares de coisas ao mesmo tempo e estive refletindo sobre um assunto que parece ser tão simples e fácil, só que na realidade não é. 

Estou falando da tristeza, de sentir-se triste, pra baixo, down, deprê... Do jeito que for melhor pra entender.

A gente sabe que para todos um dia é diferente do outro, mas pra nós que temos uma doença crônica é ainda mais. O nosso humor pode ser instável, nossos sentimentos podem aflorar de repente, assim como uma irritabilidade também e, essa instabilidade geral, pode provocar tristeza. 

Ficamos tristes por "N" motivos várias vezes durante o dia, porém estou falando daquela tristeza que não tem um motivo certo, são vários dentro de um só nome: esclerose múltipla. 

Tenho o blog A vida com esclerose múltipla há 8 anos e sempre que me procuram procuro orientar no que precisam e demonstro muito otimismo e positividade. No entanto, esses dias, alguns amigos me compartilharam que não estavam bem com a EM, estavam tendo muitos problemas, inclusive um era emocional. Tentei oferecer um pouco de otimismo para que eles não desanimem frente a seus obstáculos, como uma amiga que compadece da mesma causa, porém, dessa vez, falei sobre a importância de se sentir  triste.

Algumas pessoas me perguntam: você nunca fica triste por ter EM? 

Sim, mas no início quando o medo, a insegurança e a falta de experiência me assombravam, não era tristeza o sentimento que eu tinha, talvez fosse mais medo. Então os anos passaram e, de medo, o meu sentimento passou a ser de determinação. Pensava que tinha que resolver tudo o que a EM me cercava: exames, atestados, perícias, consultas, receitas, laudos  etc. 

Quando, no início desse ano, fui surpreendida com uma notícia incrível: fui aposentada. Depois de anos nessa luta de licença saúde e perícias, consegui o que mais almejava no momento. 

Fiquei muito feliz! No entanto, após alguns meses foi que experimentei um sentimento de tristeza. Nunca imaginei que iria acontecer comigo, afinal já era meu objetivo, quando já readaptada, pois não conseguia cumprir as 8 horas de trabalho nos 5 dias da semana. 

Porém, comecei a notar que aquela mulher alegre que acordava diariamente feliz pra correr atrás da sua rotina não estava mais ali. Porque, logo que precisei ficar afastada, disse a mim mesma que iria aproveitar pra fazer as atividades que trabalhando não dava mais conta, como o pilates e o curso de francês, por exemplo. Então, ia toda animada aos meus afazeres até que notei que estava me autossabotando, colocando empecilhos todos os dias. Com o afastamento, aproveitei para realizar uma vontade tremenda que era de aprender a tocar piano e nem isso eu estava fazendo. 

Um dia era tontura, fadiga, outro sintomas de gripe, enxaqueca e por aí vai, até que me vi sozinha no meu quarto chorando e me perguntando por que eu? Justo eu que sempre fui tão alegre? Me aposentar com 40 anos? Trabalhei tão pouco...

Todas essas perguntas sem respostas, mas que desde a aposentadoria eu não havia me feito. 

Nesse dia chorei como criança. 

Depois percebi que aquela mulher alegre estava triste, sentindo uma tristeza na alma que precisava descarregar, chorar a perda daquela vida que era tão estressante, mas que era minha, minha vida, minha rotina, para que a nova vida recomece e eu aceite minha nova rotina, muito mais leve e legal, apenas com as atividades que escolhi e que preciso. 

Foi aí que reparei numa coisa: eu adoro música e não vivo sem, então, todos os dias em que fico em casa preparo uma playlist e faço tudo com uma trilha sonora ao fundo. Percebi que naqueles dias eu havia me esquecido da música. A tristeza estava tão dentro de mim, que não sentia a necessidade de cantar, dançar ou apenas admirar a melodia. 

Depois de chorar aos soluços, voltei à minha rotina semanal e a música também voltou. 

Contando tudo isso na terapia, minha psicóloga disse que temos que aceitar o direito de ficarmos tristes, no entanto por pouco tempo e não deixar que essa tristeza nos atrapalhe. Ficar triste onde a alegria predomina, como nos posts das redes sociais, pode parecer um desacato à sociedade de imagem, só que não! 


Ninguém vive feliz 24 horas por dia e no meio dessa mesma sociedade, temos todo o direito de nos recolhermos, refletirmos e sermos felizes, ficando tristes de vez em quando. 


Fabi 


Eu me chamo Fabiana Dal Ri Barbosa, mas me chamam de Fabi. Tenho o blog A vida com Esclerose Múltipla desde 2009, onde trocamos experiências e conhecemos algumas novidades relacionadas à EM.
Sou uma pessoa que não vive sem música, se sente feliz na maioria dos dias, pira de vez em quando por pensar demais, é preocupada demais também, mas apaixonada. Amo escrever, assistir filmes, estudar francês, piano, canto e Teatro.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Quem é o seu pior inimigo?


Fonte: http://rejane-enajer.blogspot.com.br/2012/04/o-seu-pior-inimigo-e-voce-mesmo.html

Seu pior inimigo não são as críticas que você recebe, mas sim as que você aceita.

Por que é tão mais fácil acreditar na opinião dos outros a seu respeito do que na sua própria opinião?

Por que levamos em consideração tudo que chega com teor negativo em vez de acreditar no positivo?

A resposta é: você pode estar sendo seu próprio inimigo e não estar se dando conta disso. 

Quando nossa autoestima está baixa é como se agradecêssemos a alguém que chega pra nos colocar mais pra baixo ainda. Tendenciamos a sempre nos ferir. 

Por que é tão difícil olhar para si mesmo? Por que é tão difícil se valorizar, se amar, se agradar, se defender de críticas maldosas? 

Estamos treinados a sempre achar que o outro é melhor. Mero engano. O outro possui defeitos e qualidades assim como toda a humanidade. 

Por que não pensar que se o outro é capaz de apontar-lhe o dedo é porque no mínimo lhe falta educação e ética, pois só devemos responder o que nos é perguntado.

Pare de aceitar críticas que não acrescentem, olhe para você, busque suas qualidades, veja o quão bom você pode ser e acredite: você nunca irá agradar a todos. Então, por que ficar alimentando críticas desconstrutivas? 

Use seu tempo  para aprimorar-se, aprimorar sua personalidade, adequando-se a cada fase da sua vida, respeitando seus limites. Exija o respeito de todos os que te cercam, não permita que pessoas ditem regras sobre o que você deve ou não fazer, sobre o que é ou não bom para você no momento em que você é a única pessoa que deve saber, afinal você é o dono da sua vida, você é quem deve conduzir as rédeas, não permita que suas vontades sejam controladas por ninguém, se autoavalie todos os dias e diga para você mesmo quem é que manda.

Para aqueles que convivem com a esclerose múltipla, a patologia é algo que transpassa seu poder de escolha, sendo assim não a torne sua inimiga, não tente lutar contra quando ela pedir descanso. Quando a fadiga se instalar, simplesmente a receba e a trate com cortesia, ofereça uma cama, exija respeito, não admita que outra pessoa diga o que você deve fazer, pois é no seu corpo que a EM habita, é você quem a carrega para onde quer que vá, então seja você o anfitrião, trate a EM com os cuidados que ela exige. Diga para todos que chegam com receitas prontas ou opiniões formadas que você é o dono do corpo no qual a EM faz morada, portanto você  conhece cada necessidade dela, não escolha ser seu próprio inimigo. 

Não jogue contra você mesmo e quando ouvir a frase "você precisa ser forte",  tenha convicção de que você é forte, pois abriga dentro de você uma doença rara da qual só você sente os sintomas que ela atira sobre seu corpo, a única coisa que você precisa é apenas de respeito... Então estufe o peito e diga a todos: "RESPEITEM!". Impor respeito precisa partir de nós, sempre.

Vilma Prado





Estudante de psicologia e PNL (Programação neurolinguística).  Amante da psicologia comportamental. Diagnosticada em 2014 com TAG (transtornos de ansiedade generalizada), saiu em  busca pelo autoconhecimento e aprendeu que sua felicidade depende apenas dela mesma. Libertação, superação e determinação a definem.