quarta-feira, 27 de abril de 2016

Alterações da Sensibilidade na Esclerose Múltipla




As alterações da sensibilidade estão entre os achados mais frequentes da Esclerose Múltipla. No entanto, apesar da importância da sensibilidade na capacidade de adaptação ao meio e na autorregulação na vida de qualquer ser vivo, pouco se discute suas repercussões. Quero me dedicar a explorar esse tema e compartilhar algumas reflexões...


Toda resposta de um ser vivo ao meio dependerá de um estímulo interno ou externo. Não há resposta motora, visceral, afetiva, intelectual, sem que ocorra na prévia um estímulo, que chamaremos de sensorial. A capacidade e a adequação de uma resposta dependem fundamentalmente do imput de uma informação sensorialmente adequada. De acordo com a complexidade de cada espécie e do meio em que vive, os diferentes seres apresentam sistemas sensoriais que lhes são peculiares.

São muitas e diferentes as categorias de estímulos sensoriais e nos humanos as informações sensoriais estão divididas em categorias, de acordo com a natureza dos estímulos e da região em que estes estímulos são captados. Em outro momento falaremos mais profundamente sobre as dinâmicas fisiológicas que envolvem essas questões. Hoje, no entanto, desejo falar sobre a importância das sensações e das percepções na nossa vida. E abrir assim uma janela que permita ver a importância do comprometimento da sensibilidade e das percepções na vida da pessoa com EM.

E por que as sensações e as percepções são tão fundamentais?  São elas que fornecem uma compreensão da natureza dos fenômenos que nos circundam. Também são elas que participam da construção da imagem que temos de nós mesmos.

As alterações da sensibilidade, portanto, modificam e prejudicam a nossa capacidade de responder às demandas internas e àquelas impostas pelo meio ambiente com plenitude. As alterações de sensibilidade podem levar a desordens motoras, como uso inadequado dos membros, alterações importantes do equilíbrio corporal, compensações posturais que levam à gastos energéticos evitáveis, aumentando a possibilidade de fadiga. De modo mais sutil, mas não menos importante, as alterações de sensibilidade superficial, profunda, visceral, labiríntica, óptica, gustativa, auditiva, produzem uma percepção alterada do mundo e do próprio corpo, aumentando a sensação de vulnerabilidade e de fragilidade.


Portanto, não devemos ignorar ou negligenciar alterações desse campo.  A melhor percepção de si mesmo e do mundo ao nosso redor contribui não só para a melhora da dinâmica funcional, mas envolve a possibilidade de melhores respostas ao meio e à organização de uma imagem corporal mais estruturada.


Bete Guazzelli
Fisioterapeuta -  Doutora em Saúde Pública


Um comentário:

  1. Perfeitas colocações, plenamente entendidas para alguém que como eu , convive a 16 anos sem sensibilidade do pescoço para baixo .

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