sexta-feira, 15 de abril de 2016

Eu, cuidadora?


Fonte: Google imagens


Pois é, as coisas foram acontecendo. No começo era eu quem era cuidada e mimada. Depois, quando eu tinha sete anos de casada e ainda com problemas de adaptação ao casamento; acho que a famosa crise dos sete; a situação era outra, aí eu estava lutando para que meu marido parasse de beber. Quando finalmente consegui e essa fase passou e tudo parecia estar se encaixando, ele teve seu primeiro surto, que agora sabemos o que foi. Ele estava feliz e eu também, tudo corria bem, fiquei muito preocupada, pois minha filha tinha um ano e meio e meu filho mais velho quatro anos. Em um dia, quando amanheceu, ele não saiu para trabalhar, continuou na cama e ficamos uma semana batendo cabeça, andando atrás de benzedeiras e médicos.

De repente tudo passou e nós esquecemos daquele episódio, continuamos nossas vidas. Só que algo eu já enxergava diferente, seu andar tinha um quê que eu não sabia muito bem o que seria, parecia que ele tinha uma torção no pé, mas fui desencanando.  Um dia fui tomar banho e encontrei um caroço no meu seio. À noite eu contei a ele e no dia seguinte retornaram os sintomas antigos e mais alguns. Foi aí que tudo começou de forma mais recorrente. Eu fui me cuidar e soube que não era um câncer, mas que teria que ter um acompanhamento contínuo. Quanto ao meu marido, também começamos a procurar o que eram aquelas paralisias, aquelas dormências. Foi um período que tive de abrir mão de muitas coisas para me cuidar e recobrar meu eixo.

Em um final de semana bem estava bem corrido, com muitos compromissos com a empresa onde ele trabalhava, ele trouxe serviço para casa e passou vários dias entre o Natal e o Ano Novo trabalhando até altas horas da noite, inclusive de madrugada. Ele estava na sala de jantar, já era quase hora do almoço quando escutei um barulho e corri para ver  o que havia acontecido.  Encontrei ele no chão, tentando se levantar e dizendo que teve uma tontura. Levei-o para o banheiro e ele até falou: "deve ser cansaço, pois estou aí já faz dias, mas vou tomar banho e já me recupero". Notou então algo estranho, em seu lado esquerdo ele sentia a água fria e no seu lado direito sentia a água era morna. Detalhe: o chuveiro estava desligado da corrente elétrica por estar um verão muito quente.

Daí para frente tudo começou a mudar nas nossas vidas até o diagnóstico de Esclerose Múltipla. Sofremos muito, toda família assustada com suas reclamações, ora tinha visão dupla, ora mão formigando, outras vezes as pernas ou, então, ele tinha um desânimo que não saía do lugar e aos poucos fui lhe dando assistência para tudo que fazia. No começo foi muito difícil, ele não tinha mais força para segurar seu prato, às vezes melhorava que parecia nunca ter sentido nada.

Foi aí que começamos a correria, oftalmologista por causa da visão dupla, exames para ver se tinha labirintite por conta das tonturas, eletrocardiograma pelo aperto no peito e tantos outros mais.  Até vir um surto muito forte em que ele parou de andar, foi daí que encontramos o Dr. Getúlio Daré Rabelo que finalmente deu o diagnóstico de Esclerose Múltipla.

Como se tornar uma cuidadora?  Há um ditado antigo e muito verdadeiro:  quem ama cuida.  Cuidados com mais amor, crescer e fortalecer toda família, se juntar a outros que estejam na mesma situação faz com que possamos enfrentar as dificuldades com mais ânimo e nunca, nunca desistir de nada por causa da doença.

Minhas irmãs viraram irmãs dele e com isso, para mim, como mulher cuidadora, ficou mais fácil lidar com as situações.  Meus filhos, embora pequenos, logo entenderam que a doença do pai seria para sempre e que eu também não iria conseguir fazer tudo sozinha, então eles me ajudaram e me ajudam até hoje, são compreensivos, solidários e junto com nossos netos nos dão forças para continuarmos a vivermos felizes.

Assim acabou a história de hoje. Conto mais na próxima. 

Beijos e fiquem com Deus!


Dinha Gomiero
Cuidadora


8 comentários:

  1. Prazer dona Dinha Gomiero é um prazer em comentar o que a senhora escreveu para o site da ABCEM é a Ivi Paula paciente com Esclerose Múltipla há sete anos. O que a senhora escreveu sobre a doença e o melhor como tratar um paciente com estes problemas e vou ser sincera não é fácil cuidar de um paciente com Esclerose. Eu vejo que esta doença é um "jogo" sem graça para os pacientes imagina para o cuidador, que além de viver a sua própria vida tem que viver a vida do doente também. Parabéns Dinha além de mostrar como ser uma cuidadora mostrou para todos como agir como ser humano! Ivi Paula - Secretária da ABCEM- Associação de apoio a pacientes com Esclerose Múltipla e familiares do ABC e região.

    ResponderExcluir
  2. Dinha parabéns.Lindas palavras com certeza saíram do fundo do coração
    Com certeza não faltará histórias pois estarei esperando ansiosamente.

    ResponderExcluir
  3. Está aí alguém que admiro por tamanha dedicação e carinho. Não só com o sr Wilson, mas também com os esclerosados agregados. (Eu)
    Te amo♥

    ResponderExcluir
  4. Eu sou suspeito ou sujeito, mas quero externar aqui minha opinião, mesmo sabendo de antemão que estarei errado. (afinal desde sempre a última palavra é minha' você esta com a razão.)
    Quando casei-me com a Dinha, ela dificilmente coloca-se quanto a algum assunto. Fomos convivendo, participando de movimentos religiosos, entrando em algumas atividades comunitarias e começou aaa desabrochar uma mulher bem diferente daquela com quem me casei. E daí em diante surge a cada dia uma mulher diferente. Você sempre evoluindo, a cada dia me surpreendendo com uma nova faceta. Parabéns por mais este crescimento.
    Feliz o homem que a cada dia tem contigo uma nova mulher em todos sentidos. Conclusão
    Eu sou feliz ☺

    ResponderExcluir
  5. Boa tarde de sabado a todos, bem so espero ajudar as familias e amigos dos pacientes de EM ou qualquer problema pois com amor e compreensão vencemos tudo bjs

    ResponderExcluir
  6. Boa tarde de sabado a todos, bem so espero ajudar as familias e amigos dos pacientes de EM ou qualquer problema pois com amor e compreensão vencemos tudo bjs

    ResponderExcluir
  7. Que linda história. Sofrida sim, mas linda !!! Parabéns à todos pela coragem e força que estão tendo ! Sorte, sempre !!!

    ResponderExcluir
  8. Grande amiga...sua força me motiva todos os dias, sua positividade em encarar as situações da vida com esclerose Múltipla nos traz uma linda lição, pois vc mostra como podemos lidar conosco mesmos........temos que desabrochar esse amor incondicional por nós mesmos em primeiro lugar e assim aprender o significado da máxima: AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO..que vc exemplifica tão bem neste simples retrato da vida.
    Gratidão amiga
    super beijo no coração

    ResponderExcluir