terça-feira, 19 de abril de 2016

Exercício físico: exercício para o cérebro


Fonte: Google imagens

Nicholas Spitzer é um professor de neurociência da Universidade da Califórnia. Segundo o professor, a prática de solucionar jogos de raciocínio não melhora a capacidade cognitiva e música clássica  não desenvolve as suas funções cerebrais.  “Essas teorias foram analisadas em detalhe e elas não se sustentam. É decepcionante de certo modo, mas o que descobrimos é que exercício (físico) é a chave para as funções cerebrais”, afirmou o professor.

De qualquer forma, os jogos de raciocínio e ouvir uma boa música podem trazer sensações de prazer muito interessantes.

O que se discute hoje são as condições em que os exercícios são feitos para que as vantagens da atividade física sobre o cérebro aconteçam.

O ambiente parece ser uma condição importante. De preferência devem ser feitos sob exposição da luz solar. A explicação disso é fruto do processo de evolução. Pesquisa constatou que nosso cérebro muda suas atividades de acordo com o ambiente. Isso por uma questão de sobrevivência. O cérebro tende a diminuir suas atividades em ambientes fechados, após algum período sem exposição à luz solar relevante, condições semelhantes às impostas aos animais (e aos seres humanos) durante o inverno.

Segundo o professor da Universidade de São Paulo à frente do Laboratório de Neurociência e Comportamento, Gilberto Fernando Xavier, o sistema nervoso leva cerca de 12 semanas para produzir alterações detectáveis de melhor desempenho, e isso apenas após uma prática de exercícios regulares (5 ou 7 dias na semana). Por “melhor desempenho” entenda redução dos níveis de stress e ansiedade, melhorando assim capacidade de memória e raciocínio rápido. Isso é o efeito que Xavier chama de “estabilização afetiva”. 

Fator oxigenação

Assim como todas as outras partes do corpo, o tecido cerebral também se deteriora ao não ser usado e com o passar dos anos. A partir dos 20 anos, perde-se anualmente 1% do volume do hipocampo, a porção do cérebro relacionada à memória e certos tipos de aprendizado. É exatamente na proteção dessa região que os exercícios funcionam de forma mais intensa. A prática de atividade física estimula a produção do chamado Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, ou BNDF, da sigla em inglês – Brain Derived Neurotrhophic Factor. “Essa proteína é responsável por estimular a produção de novas células nervosas, os neurônios, principalmente no hipocampo”, explica o neurocirurgião Fernando Gomes Pinto, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Portanto, o papel primordial dos exercícios é reverter a destruição dos neurônios, estimulando o crescimento de exemplares novinhos e a conexão deles com seus vizinhos. Atividades físicas melhoram a oxigenação das células cerebrais porque incentivam a circulação sanguínea. Pessoas fisicamente ativas têm menor risco de Alzheimer e doença de Parkinson, diz Jomar de Souza, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE). Além disso, há a liberação de endorfinas, que provocam a sensação de bem-estarEssas substâncias naturais diminuem a dor e melhoram o humor. “E não se pode desconsiderar o fato de que os exercícios melhoram o estado psicológico, porque elevam a autoestima, já que a pessoa fica com uma silhueta mais adequada e executa tarefas físicas com maior eficiência”, diz o médico Gomes Pinto.

Três ótimos motivos para não ser sedentário:

- Ao atrasar o avanço das doenças degenerativas,  os exercícios permitem preservar por mais tempo a memória e a noção de tempo e espaço. O sono mais equilibrado, consequência do exercício físico, também favorece as capacidades cognitivas.

- A prática de atividades físicas tem um lado preventivo, pois possibilita a formação de novas conexões no cérebro. Isso é muito importante diante de doenças como Alzheimer, cuja principal característica é a perda progressiva de conexões neurais.


- Trabalhar o corpo favorece a produção de hormônios que dão sensação de bem-estar, como a endorfina. Por isso, quem faz exercícios regularmente fica mais alegre e estável, menos sujeito a ansiedade e depressão.


Egon Félix Hadermann
Fisioterapeuta
Mestre em psicologia da saúde


3 comentários:

  1. Olá,sou portadora de esclerose múltipla, muito bom esta descoberta.
    Por favor,quais são as atividades físicas adequadas,para portadores de EM e se tem alguma contra-indicação.

    atenciosamente

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  2. Que texto maravilhoso!
    Sentia falta de um blog assim, de qualidade, confiável, com assuntos multidisciplinares. Parabéns aos envolvidos!!

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  3. Grande Egon, amei cada palavra, cada citação e admiro a forma como transmite seu amplo conhecimento aqui no blog.....a cada texto vc consegue nos mostrar os benefícios da atividade física, tanto que não vejo a hora de retomar a séria de exercícios para fortalecimento muscular que havia iniciado com a Bete Guazzelli, no final do ano passado.
    Deixa eu sarar dessa chata dor que vou me empenhar o dobro agora........hahaha.....a Bete que não me segure!!

    Gratidão e super beijo

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