quinta-feira, 28 de abril de 2016

Generalizar pra quê?


Fonte: Google imagens

Não gosto de generalizações, o ser humano não é tão simples a ponto de ser possível compartimentá-lo. Somos seres plurais e, como tal, temos diversas peculiaridades, ufa.....que bom....Dizer que todos surdos terão como futuro certo serem surdos mudos é tão cruel e irreal quanto dizer que todos os pacientes com paralisia cerebral não poderão andar, ou, que o futuro de todos os pacientes com esclerose múltipla já está traçado.

O futuro de todos nós, com ou sem deficiência, dependerá das oportunidades que tivermos, aos estímulos que formos expostos ou que recebemos. Se um surdo não for protetizado, não for exposto a nenhuma língua, seja ela oral, escrita ou a língua de sinais, se não fizer terapia fonoaudiológica, se não for para escola, ele de fato não falará, não aprenderá a escrever, não poderá se comunicar. Se o paciente com paralisia cerebral não fizer fisioterapia, não tentar se locomover e se ficar o dia inteiro sentado em uma cadeira ou deitado em uma cama, de fato, nunca poderá andar. Se o paciente com esclerose múltipla não for assistido por profissionais competentes e se ele, paciente, não estiver aberto a esse tratamento o futuro está quase definido.

Talvez a diferença que iremos fazer no mundo dependa sobretudo das experiências somadas que iremos ter. Mesmo com os mesmos estímulos dois indivíduos podem reagir de forma diferente e teremos como resultado final situações nada parecidas. As famílias são diferentes, a forma como as pessoas reagem às adversidades da vida são diferentes e não tem como o valor resultante ser o mesmo. Observe uma família com 3 filhos, cada filho é único, com características próprias, mesmo que criados nas mesmas condições. Por que com as pessoas com deficiência seria diferente? Algumas pessoas se adaptam melhor a determinados estímulos ou terapêuticas. O resultado acadêmico e o próprio desempenho físico e psicológico serão distintos. Não podemos comparar as pessoas, pois somos indivíduos.

Se no lugar de acharmos que sabemos o que é melhor para o outro darmos a oportunidade dele ser exposto a todas as opções e poder fazer a escolha que ele acreditar como a correta? Podemos mostrar caminhos, mas decidir o que é melhor...não sei não.  Se podemos escolher entre a camiseta branca e a azul, por que não podemos escolher coisas mais importantes como a forma de comunicação que usaremos, a propedêutica adequada para mim e o tipo de estimulação escolar a que mais me adapto? Claro, todos precisam ser aconselhados e direcionados, mas nunca obrigados ou rotulados.


Visões radicais me incomodam, falar TODOS não acho bacana, que tal trocar todos por A MAIORIA, mais simpático, não é? 


Erika Longone
Fonoaudióloga


2 comentários:

  1. ADOREI !!! É isso mesmo ! Concordo muito com você !

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  2. Somos únicos em nossa pluralidade e isso só confirma que toda unanimidade é, no mínimo, irreal, para não dizer burra. Ótimo post.

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