segunda-feira, 18 de abril de 2016

O transplante autólogo de células tronco hematopoiética


Fonte: http://esclerosemultipla.com.br/

Hoje trago um assunto bastante em voga para discutir: o transplante autólogo de células tronco hematopoiética.

O objetivo é esclarecer o que é o procedimento, como é realizado e em que situações é indicado neste momento do conhecimento científico.

A esclerose múltipla é considerada uma doença autoimune, ou seja, o sistema imune desconhece a mielina como sendo um componente do organismo e o agride como um agente invasor, acarretando o problema básico da doença que é a lesão da bainha de mielina e com isto redução na velocidade do estímulo nervoso.

O transplante autólogo de células tronco hematopoiéticas é uma intervenção imunológica que tem por intenção reduzir a atividade do sistema imune através de imunossupressão; esta abordagem surgiu pela observação de estudos em que altas doses de quimioterapia em pacientes com câncer e esclerose múltipla evoluíram com melhora da doença.

A intenção é desenvolver um novo sistema imunológico e com isto evitar a autoagressão.

A metodologia é realizada em 3 etapas: 

1. Primeiro administra-se drogas que tornam as células da medula óssea aptas a liberar células tronco imunológicas ( estas têm a capacidade de transformarem-se em qualquer tipo de célula imunológica) no sangue. 

2. Captação das células tronco no sangue periférico. 

3. Submete-se o indivíduo a imunossupressão com o intuito de eliminar o sistema imune superativo. 

4. Reinfunde-se as células tronco previamente extraídas.


Na fase de imunossupressão muitos cuidados precisam ser tomados. É necessária internação e cuidados intensivos administrados, pois há alto risco de infecções que podem ser fatais.

As pessoas elegíveis para o transplante são:

1. Pessoas com o tipo evolutivo da doença surto-remissão que apresentem surtos frequentes ou com lesões novas pela ressonância e que não foram responsivos aos tratamentos disponíveis. 

2. Pessoas com o tipo evolutivo secundariamente progressiva com surtos ou primariamente progressiva, mas com lesões à ressonância e piora clínica confirmada ao longo do último ano. 

3. Pessoas com qualquer forma evolutiva, com evolução rápida, grave, “fulminante”.

A finalidade do transplante é estabilizar a doença, e não é curá-la ou melhorar incapacitações preexistentes.



Dra. Liliana Russo
Neurologista
Diretoria Técnica da ABCEM


3 comentários:

  1. Gostei muito da explicação ! Parabéns !!!

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  2. Eu tenho surto remissão gostaria de fazer este procedimento e pago ? Pode se fazer pelo SUS ? Contato 12991226725 Cristina

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