sexta-feira, 20 de maio de 2016

Desabafos e exemplos


Fonte: Google imagens

Hoje acordei pensativa, pois todos nós vivenciamos nossos medos e anseios. Mesmo dando o meu melhor, querendo ajudar, eu erro e aí entra o conflito com quem está sendo cuidado ou com quem apenas está no ambiente em que o fato ocorreu, pois, a pessoa que está sendo ajudada não concorda com seu modo de fazer ou até de falar, momento que, para evitar conflitos maiores, devemos esperar passar para depois acertar o como deve ser feito ou falado. Foi aí que lembrei de uma passagem especifica que exemplifica bem o aprimoramento de ser cuidador.

Numa família onde o pai ou a mãe está precisando do cuidado, eles são naturalmente mais complacentes do que quando é o mais jovem quem está na situação, por isso é que temos que desenvolver o como cuidar de todos, até mesmo de uma criança.

Conheço uma família em que o filho casado passou mal, teve um surto e foi diagnosticado com esclerose múltipla. O casamento, que já não devia ir tão bem, chegou ao seu fim; meu amigo ficou sem chão quando foi abandonado, sendo ainda que a mulher deixou a filha com ele, pois era ele quem provia, na época, salário e recursos.
 
Ele frequentava uma associação na qual eu fazia parte e como eles, pacientes, estavam muito preocupados em como seria a vida deles daquele dia em diante, quanto ao relacionamento no seu ambiente, resolvemos, em conjunto com a psicóloga, fazer uma reunião com os familiares dos pacientes daquela associação. No princípio era mais como desabafo; como brincávamos entre nós, cuidadores, poder falar mal dos nossos “pacientes“; em cada reunião eram umas pessoas novas, pai, mãe, irmãos, cunhados, filhos e até os vizinhos que tinham amizade mais próxima e aí, passado um tempo, os cuidadores foram sendo revelados.

Como sempre nessas relações eles foram sendo ajudados uns pelos outros, falando simplesmente dos acontecimentos e experiências que cada um passava na semana e com isso eles desabafavam e levavam a experiência do outro que tinham o mesmo problema, mas que resolviam com ações diferentes da sua.

Eles eram ajudados, sempre com a supervisão de uma profissional de psicologia, que dava seu aval pelas ações de apoio, para que nós continuássemos os cuidados com os nossos e assim harmonizava todo o contexto do que seja ser um cuidador.  Quanto ao meu amigo, hoje a família cuida do nosso paciente sem restrição de qual seja a pessoa que vai para cuidar, todos cuidam, mãe, irmãos, cunhados e amigos, sendo que a maior cuidadora é a filha, que hoje tem dezessete anos, e só reclama de não poder ficar no hospital quando o pai fica internado para os seus tratamentos, pois ela ainda é menor de idade, mas com certeza é sua melhor cuidadora.

Uma pessoa que tenha o carinho, a compreensão de outro, esteja ela com que doença for quer ter atenção integral, desde o estímulo para um cinema, piquenique ou simplesmente um passeio na calçada da sua casa. Tenha a certeza que estará fazendo o paciente feliz.
Esta é a base do que chamamos de dar atenção total ao paciente de uma doença crônica.  Lembre-se: ser cuidador é ser paciente principalmente com o paciente.

Obrigada pela leitura e até o próximo mês!


Dinha Gomiero
Cuidadora


Um comentário:

  1. Para ser cuidador é preciso se colocar no lugar do paciente. Para ser cuidador,é preciso ser paciente

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