quarta-feira, 18 de maio de 2016

Neurite Óptica




O nervo óptico é um nervo sensitivo, localizado na parte posterior do globo ocular, nasce das células da retina, formando um conglomerado de fibras nervosas responsável por captar as informações provenientes dos receptores da  retina ( cones e bastonetes) que estimulado pela luz do meio ambiente as transporta para o sistema nervoso, lobo occipital. Este por sua vez processa estas informações, assim o indivíduo enxerga e interpreta forma, cor, tonalidade, brilho, noções de distância e espaço.

Neurite óptica é a inflamação do nervo óptico. Esta inflamação gera uma desmielinização, impedindo a transmissão, de modo correto, da informação pelo nervo.

A etiologia da neurite óptica nem sempre é encontrada, sendo denominada, neste caso, idiopática. Outras causas englobam a esclerose múltipla, infecções virais (como a varicelacaxumba, herpes, entre outras) e outras afecções inflamatórias (como a sífilis, tuberculose e sarcoidose).

Quando aparece isoladamente é denominada síndrome clínica isolada e como veremos mais a frente pode se converter para esclerose múltipla.

Pode aparecer como sintoma inicial da esclerose múltipla em 15 a 20% dos casos  e 40 a 50% dos pacientes que já a possuem  desenvolvem neurite em algum ponto do curso da doença.

Epidemiologicamente, o indivíduo mais propenso é: mulher, caucasiana ( branca), entre 20-55 anos.

A grande maioria dos indivíduos apresentam como queixa inicial dor ao movimento ocular, perda visual que agrava-se com o decorrer dos dias, podendo ser parcial ou total. Habitualmente acomete um único olho, o campo visual pode ser acometido de várias formas, desde um borrão na visão central, até perda de partes de campos visuais, isto correlacionado à região do acometimento da via óptica.



Alteração de percepção de cores (discromatopsia), tom, brilho, também ocorrem. Agravamento da visão com calor e exercício são comuns.



O prognóstico costumeiramente é benigno, sendo que 50% dos acometidos evoluem para recuperação plena da visão e apenas 10% ficarão com alterações significativas.

Ter sido acometido por neurite óptica não é sinônimo de esclerose múltipla, mas alguns cuidados devem ser tomados.

Primeiro passo é firmar diagnóstico meticuloso. Uma anamnese direcionada, exame físico adequado e a realização de exames subsidiários se fazem importantes para diagnóstico diferencial, prognóstico evolutivo quanto déficit visual e risco de conversão para esclerose múltipla.

O maior risco de conversão para esclerose múltipla, em um indivíduo que apresentou evento de neurite óptica, são: liquor com presença de bandas oligoclonais, ressonância nuclear magnética demonstrando lesões assintomáticas. Nestes 50-60% convertem em 10 anos, já com liquor e ressonância normal este índice cai para 20%.

O que é importante e como proceder nestes casos?

O diagnóstico quanto mais precoce melhor, visto que sabe-se que quanto antes tratar e modificar a história evolutiva natural da doença, minimizam-se atividade inflamatória, quantidade e gravidade de surtos e com isto acúmulo de lesões no sistema nervoso central e de incapacitações futuras.

Em síntese, estas pessoas precisam e devem ser alertadas sobre os seus riscos e monitoradas periodicamente.

Na presença de dor em um único olho, alteração na percepção visual de qualquer gravidade não hesitem, busquem aconselhamento médico imediato. Nos indivíduos que já apresentam diagnóstico de esclerose múltipla, este é um surto.


Liliana Russo
Neurologista


Um comentário: