quinta-feira, 5 de maio de 2016

O momento do diagnóstico e suas incertezas!

Fonte: Google imagens


Ao receber o diagnóstico de Esclerose Múltipla, muitos pacientes sentem-se perdidos, já que não há como prever o desenvolvimento da doença. Dessa forma, interrompem suas atividades corriqueiras e focam-se na doença.

Como a doença acomete, em sua maioria, adultos jovens, é necessário que eles amadureçam com maior rapidez, para que seja possível lidar melhor com ela e seus múltiplos aspectos.

A Esclerose Múltipla, por ser uma doença crônica, acompanha o indivíduo ao longo de sua vida, os pacientes necessitam se adaptar a uma nova dinâmica, as incertezas e as alterações do bem-estar estão presentes em seu dia a dia.

Cada ser humano é único e então perante a descoberta de uma doença reage de forma individualizada. Essa reação depende de diversos fatores, entre eles estão: experiência de vida, expectativas, compreensão da doença, apoio familiar e suporte social.

Uma das grandes contribuições do Humanismo é admitir que o Homem mesmo não podendo alterar o diagnóstico da doença, tem potencial de decidir qual a forma como vai lidar com ela, pois é responsável por si e por suas decisões quanto à adesão ao tratamento.

Como a doença crônica tem como principal característica permanecer ao longo da vida do indivíduo, é preciso que este constantemente faça ajustes em relação a seus projetos de vida. Envolve, ainda, graus diferentes de comprometimentos físico, psicológico e social, com interferências no controle do corpo, na capacidade de resolução de problemas e projetos futuros, nas relações afetivas.

A família desempenha um papel importantíssimo no tratamento e especialmente na reabilitação da pessoa com EM. Porém, para que ela constitua um recurso positivo, deve ser uma família funcional, que participe ativamente de todo o processo e que também compreenda as incertezas do paciente

Alguns eventos são normativos, como o envelhecimento; outros conhecidos como não normativos, tais como a doença. Não surpreende que diversos autores tenham observado que um período especial de vulnerabilidade do paciente com esclerose múltipla é constituído pelas fases iniciais da doença e/ou logo após o diagnóstico.

O suporte psicológico e o aconselhamento familiar são importantes, dadas as dificuldades que muitas famílias apresentam para compreender a origem do sofrimento do paciente que por vezes pode apresentar incapacidades físicas discretas e subjetivas. É possível pressupor que os indivíduos que tenham aprendido a integrar as mudanças causadas pela doença em seu estilo de vida possam apresentar uma melhor autoimagem, tendo então uma melhor qualidade de vida.

Felizmente, além do apoio familiar, as redes sociais estão prestando um grande suporte, tanto aos recém diagnosticados quanto os que já têm a doença há anos, essa união é extremamente positiva para que as incertezas diminuam e que restaure a esperança dos pacientes de que é possível SIM termos uma boa qualidade de vida convivendo com a EM.
Costumo dizer que ando lado a lado com a doença, andamos em “sintonia” com uma única diferença, sou eu que a tenho, não o contrário!


Maiara Araújo
Psicóloga clínica

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