segunda-feira, 23 de maio de 2016

Quando a vida vem e muda tudo...


Fonte: Google imagens

E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
Depois convida a rir ou chorar

(Toquinho/Vinícios de Moraes)


No começo, ninguém imagina que um dia terá um fim, muito menos que o fim será aquele pelo qual nunca esperamos. No entanto, a vida, esta verdadeira caixa de surpresas, não presta muita atenção nas nossas expectativas acerca do que será bom ou não para nós e dá o desfecho que melhor lhe convém a nossa história.

Nós principiamos em todas as esferas da vida com a nítida intenção de triunfar, de vencer cada obstáculo, de edificar as nossas escolhas, de demolir o que nos entrava, de galgar cada degrau com determinação, até chegar ao topo. E, nessa jornada, vamos vendo e revendo planos e projetos, descartando utopias, materializando sonhos, mas sempre na esperança de que o melhor virá... o melhor para nós... o melhor para a nossa vida...

Porém, num dado momento, sem ao menos nos consultar, sem referendar suas intenções, a vida chega, tira tudo do lugar e reposiciona a seu bel-prazer, sem pedir permissão, sem nos dar chance alguma de decidir se aceitamos ou não as suas intervenções compulsórias.

E, assim, de um momento pro outro, nos vemos obrigados a traçar rotas alternativas a fim de prosseguirmos vivendo, senão, seremos forçados, impreterivelmente, a escolher a segunda opção que a vida nos dá diante de suas reformulações dos nossos projetos, ou seja, chorar, desabar, desistir...Vale dizer que a primeira opção é sorrir, digerir, prosseguir, adaptar-se... 

Então, quando o convite chega até nós, trazendo em seu bojo apenas duas alternativas para escolha, é inevitável sermos tomados por uma sensação debilitante de impotência e, muitas vezes, de fracasso, uma vez que tivemos as rédeas dos nossos objetivos  e, subitamente, vemos nossa carruagem se perder nas curvas da estrada, completamente desgovernada, sem chance alguma de voltar a ser guiada, exclusivamente, por nossas mãos...  a partir de agora ela estará sendo conduzida por outras mãos e nos resta embarcar, sorrindo, ou pular fora, envoltos em lágrimas e revolta.

Não é nada fácil retraçar planos e metas, não é agradável ver nossos sonhos ganhando rumos que nunca imaginamos, não é encorajador perder o comando do final da nossa história. Mas, não é o fim de tudo, acredite! Há vida após o convite a mudar, a reformular nossas escolhas. A vida muda, mas a vida não para, não estanca... ela prossegue e cabe a nós, pois disso não perderemos nunca o controle, decidir entre rir ou chorar, entre continuar ou estacionar, uma vez que isso ainda continuará sendo unicamente opção nossa.

Ter Esclerose Múltipla não foi escolha nossa. Não fomos consultados se a queríamos ou não fazendo parte da nossa existência. No entanto, o que fazer com este, digamos, "presente de grego" que chegou sem direito à devolução, é nossa escolha. Podemos deixar que a doença nos tenha ou podemos tê-la. Isso é simples? É evidente que não, pelo contrário, é extremamente complexo, pois envolve adaptações nas mais diversas esferas, além de um poder de enfrentamento ímpar. Porém, reafirmo, a escolha de como carregar as mudanças que, queiramos ou não, acontecerão, é de nossa responsabilidade. Podemos fazer da EM uma mala sem alça que nos obriga a arrastá-la pelos caminhos que temos de trilhar, ou podemos adaptar-lhe rodinhas e um puxador alongado que permitam fazer com que ela deslize por onde temos de levá-la sem que necessitemos deixar de apreciar a paisagem do trajeto, que continuará sempre com a cor que nosso olhar dar a ela. 


Bete Tezine


3 comentários:

  1. Muito verdade! A melhor opção é se adaptar com resignação.

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  2. BEMMMMM ASSIMMMMM AMIGA BETE!! Amo esta música desde que li a letra inteira na adolescência!! #juntossomosmaisfortes #vamosquevamos #cantaremcoro

    "Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
    O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
    Vamos todos numa linda passarela
    De uma aquarela que um dia enfim
    Descolorirá"

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