terça-feira, 17 de maio de 2016

Reconectar-se


Fonte: Google imagens

Entre os cuidados com a Esclerose Múltipla, está o de se evitar o desenvolvimento de comprometimentos paralelos, a fim de que não se somem desestabilizadores da qualidade de vida. A prática de uma alimentação adequada é reconhecidamente uma conduta auxiliadora neste processo de cuidado. Porém, como manter uma alimentação que lhe seja adequada todos os dias? E a esta pergunta acrescento: você deve comer todos os dias de forma padronizada em horários e quantidade? Reflitamos sobre isto.

Somos bombardeados diariamente com informações sobre o quê comer e quando comer. Certamente já lhe pediram para comer de três em três horas, para sair da mesa sempre com fome, para não jantar de jeito nenhum, entre outras informações que na verdade em nada ajudam, pelo contrário atrapalham. Quando o assunto é comida, nosso organismo possui mecanismos fundamentais para captura e ingestão. Entre estes mecanismos está a fome e a saciedade. Na amamentação, uma das principais recomendações para oferta do leite é a livre demanda, porque é seguro e saudável respeitar o instinto de fome e saciedade da criança a fim de nutri-la. Este instinto, porém, é intrínseco a qualquer indivíduo. Todos nós temos a capacidade de perceber em que momento devemos começar a comer, em que momento devemos parar de comer e o quanto realmente precisamos comer. Retomando a nossa segunda pergunta introdutória, podemos perceber que na verdade é normal não comermos de forma padronizada todos os dias.  A sua fome no almoço de hoje pode não ser a mesma do que no seu almoço de amanhã. É completamente saudável moldar a quantidade que você come a partir do grau de fome e saciedade, apesar de ser necessário compreender os motivos que alteram seu apetite.

Sobretudo com o atual bombardeio das "dietas", acontece cada vez mais a nossa desconexão com os nossos próprios sinais internos de fome e saciedade, deixando nossa alimentação à mercê de fatores externos, como o já citado comer de três em três horas, mesmo você não estando com fome; ou a culpa em sair da mesa sem fome, por exemplo.

E quais as implicações negativas disso? Certamente muitas. Tente controlar sua respiração, agora. Provavelmente o ritmo da sua respiração alterará um pouco. Imagine-se tentando controlar os momentos que você inspira e expira a todo momento. Você acha que seria uma respiração confortável? O mesmo é com a alimentação. Ao tentarmos normatizar demais o que e quando comemos é que perdemos o controle da nossa alimentação. Comer é algo natural, intrínseco a nós. A tarefa de reconectar-se, ouvir e respeitar seu corpo deve ser trabalhada por você e pelo profissional em saúde que lhe acompanha. Adequar a forma como comemos para nos favorecer é possível e pertinente, porém esta adequação deve ser condizente com suas próprias demandas. Respondendo à nossa primeira pergunta introdutória, ouvir e respeitar seu corpo é uma tarefa necessária para conhecer um pouco justamente destas demanda, - sociais, culturais, psicológicas, físicas - e assim manter uma alimentação o mais adequada possível para você a cada dia. Suas demandas mudam e, assim, sua alimentação também. 

Para agora, sugiro pensar: como foi seu apetite hoje?

Fernanda Sabatini
Nutricionista

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