terça-feira, 10 de maio de 2016

Se eu tenho Esclerose Múltipla, vamos tratar!


Ainah Carvalho

Fui diagnosticada com sugestão de Esclerose Múltipla, e agora???

Foi em abril de 2014 que comecei a ter sinais do início dessa doença. Andava pelas ruas e levava tombos, sentia uma fraqueza na perna direita, cheguei a cair diversas vezes ao descer do ônibus e isso foi assustando, pois tinha alguma coisa acontecendo. Outra coisa que incomodava era andar de transporte, fosse carro, metrô ou ônibus, sentia muuita dor nas vistas e não aguentava ficar com os olhos abertos. Logicamente que sempre fui contanto tudo aos meus familiares e, com esses acontecimentos, decidimos marcar com ortopedista, pois poderia ser algum problema na perna (todos se sentem médicos né? rs). Marquei e ele pediu uma ressonância na perna direita. Ok, ok, levei o resultado ao médico que disse que não havia nada alterado e deu uma dica: “Vá ao neurologista que deve ser algum problema nos nervos”. Por indicação de amigos marquei com um neurologista muuito bom. Mesmo com medo fui e ao chegar lá contei tudo o que estava acontecendo. O doutor pediu uma ressonância do encéfalo e isso me que assustou. Marquei essa ressonância e vou falar, essa foi difícil, fiquei 1h30 dentro daquela máquina sem poder me mexer. Percebia que toda hora passavam médicos de um lado e do outro e  eu observava pela sombra, logo pensei: “caramba está acontecendo alguma coisa!”, mas tudo bem, fiquei tranquila. Depois de uma semana, levamos o resultado para o doutor e adivinha? Apareceram manchas no cérebro (IMAGINA A REAÇÃO, IMAGINAAA A TENSÃO, POIS COMO ISSO ACONTECEU? Lembrando que eu nunca bati a cabeça nem nada). Isso logicamente assustou todo mundo, era uma terça-feira de abril e só conseguia chorarrr. O próximo passo era descobrir como surgiram essas manchas. O médico pediu outros exames como o liquor e neuromiografia. Fiz e também nada foi diagnosticado. O último passo foi fazer uma biópsia que seria retirar uma parte do tecido do cérebro, até aí eu já estava confiante e acreditava que tudo já tinha dado certo. Tinha muita gente rezando e fazendo correntes positivas, mas muuuuita gente mesmo, que eu agradeço até hojeeee, teve vídeo dos meus amados da turma do pagode (EEEE QUE VÍDEO!) e seria só esperar o dia dessa biópsia. Para o convênio liberar esse procedimento foi uma luta, pois o médico queria alguns materiais e não queriam liberar, diziam que era “estética” (CADA COISA NÉ?), mas depois que entramos com uma liminar finalmente liberaram!!!

E chegou, aconteceu no dia 22 de maio de 2014, no hospital Santa Catarina. Cheguei cedo com medo, confiança, tensão, tudo misturado. O médico já tinha avisado como seria o procedimento e tinha falado que cortaria um pedaço do meu cabelo, mas seria atrás, ele lembrou disso, pois pensou a questão da estética na mulher, eu falei tudo beeem, mas aí quando acordei, adivinhem? O corte estava na frente do lado esquerdo. E para ser sincera nem chorei, no hospital mesmo minha mãe fez umas trancinhas e fiquei bonitinha. SAÚDE MAIS IMPORTANTE NÉ?. Ok, após a biópsia já não sentia mais fraqueza e até me sentia bem.

Fiquei internada 18 dias esperando o resultado da biópsia. Vou confessar a espera do resultado foi complicada, porque passa tudo pela cabeça, mas podia receber visitas, fui à missa da paróquia Santa Catarina e só faltou me liberarem para ir ao shopping rs. Durante essa “estadia” fiz amizades, eram enfermeiras, fisioterapeutas, nutricionistas, pacientes, conheci pessoas incríveis, pois eu não tinha dieta, estava “bem” só aguardando mesmo o resultado.

Após alguns dias, enfim, o resultado da biópsia: sugestão de Esclerose Múltipla. Confesso que deixou todo mundo triste, pois não há nenhum caso de alguém na família e a doença era “desconhecida”. O médico disse que poderia ser ou não ser Esclerose, mas continuaria acompanhando com um remédio. Nessa época o doutor passou para outra médica e ela que me acompanharia.

Nova médica, primeiro passo fazer novamente a ressonância. Fiz e aquelas mesmas lesões ainda estavam lá, então para evitar crises eu teria que tomar uma medicação, Copaxone, subcutânea (não é na veia) que teria que pegar todo mês no posto e minha mãe mesmo que aplicaria. Lógico, é um choque tomar todos os dias uma injeção, mas já que vamos tratar como se fosse Esclerose Múltipla,  borá né?

Mais uma surpresa

Estava tudo certo, indo ao posto todo mês, tomando a injeção todo os dias e a cada seis meses fazendo ressonância para acompanhar o quadro. Então, voltei à médica, em outubro de 2015, fiz mais uma ressonância e mais uma surpresa, eu estava com uma nova lesão ativa no cérebro. O estranho é que não sentia nada, pra mim estava tudo normal até porque estava tomando o remédio. Mas a médica achou melhor eu ficar internada para tomar durante 5 dias o Corticóide na veia. Eu já havia feito pulsoterapia quando fiquei hospitalizada. Fui internada dia 26/10/2015 e lá vai mais uma maratona no hospital, mais uma ressonância (eee exame chatoo! rs), sim as lesões estavam lá ativas e durante os próximos cinco dias faria esse tratamento para evitar uma nova crise. Okkkk fui embora no feriado de 2 de novembro.

Desde dezembro de 2015 tomo um novo remédio, Beta Interferon B1-A 44mcg, injeção também, mas agora três vezes por semana (segunda, quarta e sexta). Essa é uma injeção meio chata, pois algumas vezes tenho uma dor de cabeça ao fim do dia, mas já que precisamos tomar, já que supostamente tenho Esclerose Múltipla, vamos cuidarrrrr.

Notícia boaaa

No último mês fui novamente à médica que pediu outra ressonância, levei o resultado e na última segunda-feira (2/5/2016), recebi a notícia que não havia lesão ativa e as anteriores estavam cicatrizando. Melhor notícia que eu poderia receber. Vou continuar tomando o remédio e acompanhando a saúde.

Diante de tudo isso, foi aí que aumentou ainda mais minha FÉ. E chego à conclusão que sou um milagre de Deus!!! E é o que eu sempre digo, deixo tudo nas mãos de Deus e confio inteiramente Nele.

Ainah Carvalho
Jornalista


2 comentários:

  1. Ainah, seja bem vinda. É muito bom voltar a rever o inicio da caminhada que iniciei a 34 anos atrás. Pode ter certeza de que todos nós somos milagres de Deus, mas nós, pacientes de Esclerose Múltipla, somos milagres com um plus a mais. Abraços

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    1. Que linda mensagem, falou tudo somos vencedores da EM!

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