segunda-feira, 2 de maio de 2016

Uma volta no parque com uma porção de vitamina


Fonte: Google imagens
Existem pesquisas que apontam para a deficiência de vitamina D em pacientes com Esclerose Múltipla, sugerindo também que altos índices da vitamina auxiliam na prevenção do surgimento da patologia. De acordo com as pesquisas, em indivíduos brancos, o risco de EM diminui significativamente (em até 40%) naqueles com alta ingestão de vitamina D. O mesmo  benefício não foi evidenciado na população negra e hispânica.
Estudos com pacientes com EM mostraram que a  administração de vitamina D preveniu o início de encefalite autoimune alérgica e lentificou a progressão de doença.
Baixos níveis séricos de vitamina D podem, ainda, estar relacionados com outros fatores como diminuição da capacidade física, menor exposição ao sol, efeito colateral de medicamentos, além de fatores nutricionais.
A vitamina D e seus pró-hormônios têm sido alvo de um número crescente de pesquisas nos últimos anos, demonstrando funções, além do metabolismo do cálcio e da formação óssea, incluindo sua interação com o sistema imunológico, o que não é uma surpresa, tendo em vista a expressão do receptor de vitamina D em uma ampla variedade de tecidos corporais, como cérebro, coração, pele, intestino, gônadas (responsáveis pela produção de hormônios sexuais), próstata, mamas e células imunológicas, além de ossos, rins e paratireoides.
Estudos atuais também têm relacionado a deficiência de vitamina D com várias doenças autoimunes, incluindo diabetes (DM), doença inflamatória intestinal (DII), lúpus eritematoso sistêmico (LES) e artrite reumatoide (AR). Diante dessas associações, sugere-se que a vitamina D seja um fator extrínseco capaz de afetar  a prevalência de doenças autoimunes.
O acúmulo de gordura corporal também é um fator predisponente para a deficiência de vitamina D. Indivíduos obesos e com diabetes mellitus do tipo 2 (Genética) podem apresentar um depósito de vitamina D nos adipócitos (células que armazenam gordura), portanto, mais vitamina presa aos adipócitos e menos vitamina D ativa na corrente sanguínea diminui a disponibilidade para a sensação de saciedade ao hipotálamo, consequentemente aumento da fome e pouco gasto de energia.
A vitamina D é obtida através de três tipos de fontes: a partir da exposição solar, dieta e dependendo do diagnóstico, da suplementação. A exposição solar assume-se como a principal fonte de obtenção de vitamina D (80-90%). Por outro lado a vitamina D obtida através da dieta representa apenas uma pequena parte das quantidades necessárias para satisfazer as necessidades do Ser Humano. A maior fonte dessa vitamina encontra-se em ovos, peixes, ostras, bife de fígado, salmão, sardinha, cogumelos e atum.  Acrescentar em nossa alimentação diária uma porção  dos alimentos citados combinados com uma caminhada antes do meio dia, irá contribuir para as necessidades diária de vitamina D.
Os níveis de vitamina D desejados ou suficientes estão entre 30 a 40 ng/ml (75 a 100 nmol/l); são insuficientes se estão entre 21 a 29 ng/ml (51 a 74 nmol/l) e baixos quando inferiores a 20 ng/ml (50 nmol/l). Os níveis ideais são ainda desconhecidos, sugerindo valores superiores a 40 ng/ml (100nmol/l). A intoxicação por vitamina D habitualmente não ocorre, até concentrações de 150 ng/ml(375 nmol/l) e ,a irradiação solar UV beta excessiva, não causa intoxicação vitamínica porque a vitamina D3 excedente e a pré-vitamina D3 são fotolizadas em fotoprodutos biologicamente inativos. (RIBEIRO et al., 2013).
A deficiência de vitamina D é assintomática, porém, alguns sintomas,  podem estar relacionados a ela, são eles: fadiga sem explicação, dor e fraqueza musculares, dores articulares e baixa resistência a infecções.

Portanto, caso você esteja com algum desses sintomas, vale a pena se consultar com profissional da área da saúde e conversar com ele a respeito do assunto. A melhor maneira de descobrir a deficiência de vitamina D é fazer um teste de sangue que medirá o nível dela.

Mayra Ribeiro Baptista                                                                                                           
Nutricionista

3 comentários:

  1. Parabéns pelo post Mayra,

    Excelente informação sobre as pesquisas que estão sendo realizadas com a vitamina D.
    Com certeza as pesquisas continuaram a avançar sobre este assunto e ajudar cada vez mais as pessoas que possuem esclerose múltipla e outras doenças autoimunes.

    Desejo que Academia Brasileira de Neurologia seja mais tolerante com a utilização de altas doses de vitamina D e que mais médicos prescrevam altas doses de vitamina D e vejam o sucesso alcançado com a grande maioria dos seus pacientes.

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  2. Muito bem colocada a necessidade e a utilidade da Vitamina D. Realmente demandamos muito mais estudos a respeito da utilização da mesma e a publicação destes, trazendo quantificações (dosagens), indicações, interações, para possibilitar maior utilização deste tratamento e estabelecendo seu real alcance. Lembramos que, na verdade, não é uma vitamina e sim um hormônio e como tal deve ser entendido.

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  3. Os valores séricos ideais de Vitamina D são entre 54 ng/ml e 90 ng/ml segundo Michael Holick, pesquisador pioneiro no estudo de vitamina D há mais de 40 anos. Ele que definiu os parâmetros utilizados hoje (obsoletos) por laboratórios e médicos.

    Portadores de doenças autoimunes no caso Esclerose Múltipla não conseguem absorver a quantidade necessária apenas através de exposição solar, devido um erro genético (gene CYP27B1) por este motivo a necessidade de suplementar.

    Em 30/12/2015 a A.A.N (Acadêmia Americana de Neurologia) publicou um estudo, onde afirma que a suplementação de 10.400 ui de vitamina D são benéficos para portadores de Esclerose Múltipla.

    Há estudos que afirmam que uma proteína ativada pela vitamina D envolve a reparação da bainha de mielina.

    Fontes:

    1 - https://www.aan.com/PressRoom/home/PressRelease/1426

    2 - http://www.cam.ac.uk/research/news/vitamin-d-could-repair-nerve-damage-in-multiple-sclerosis-study-suggests

    3 - http://www.ageracaociencia.com/2016/04/06/a-vitamina-d-poderia-reparar-danos-neurais-na-esclerose-multipla-sugere-o-estudo/

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