terça-feira, 14 de junho de 2016

Oi? Dá pra repetir?


Fonte: Google imagens


Oi, desculpe, você pode repetir? Não consegui entender... Faz assim, respira e pensa, mais uma vez, mas respira bem fundo e agora fala. Não, não, você ficou nervoso, não deu para entender nada. Pois é, essa é uma cena corriqueira na vida de quem tem disartria. Nome esquisito, não é? Um pouco, mas, apesar de esquisito, ele quer dizer muita coisa.

O termo disartria diz respeito aos transtornos da articulação da fala. Algumas estruturas podem estar dando defeito, deixando a coordenação imperfeita de estruturas como músculos faciais, língua, laringe e faringe. A disartria pode ter diversas causas, todas elas relacionadas ao sistema nervoso. Na esclerose múltipla ela pode ocorrer por desmielinização no cerebelo, em fibras dos nervos cranianos, em múltiplas áreas do córtex cerebral ou no tronco encefálico.

Não é difícil identificar a disartria, aqui vão alguns sinais e sintomas: fala arrastada, ritmo lento de fala, incapacidade de falar mais alto do que um sussurro, discurso muito rápido e difícil de entender, voz rouca, voz anasalada, ritmo irregular ou anormal de fala, voz com volume irregular, fala monótona, dificuldade em mover a língua ou músculos faciais e babar. Claro, esses sintomas não precisam ocorrer ao mesmo tempo e somente um desses sintomas não irá diagnosticar a disartria, são sinais facilmente observáveis e, caso você note algum deles, procure um profissional da saúde para que ele possa te orientar.

O profissional fará alguns questionamentos sobre o aparecimento dos sintomas, como quando eles começaram, se são contínuos ou não, o quanto eles te incomodam e como você os classificaria quanto sua gravidade, se eles pioram ou melhoram e se você atribui tal variação a algum agente externo ou interno e por ai vai.

Ele pode pedir alguns exames também, tudo dentro do esperado, vai por mim... A avaliação fonoaudiológica é fundamental nesse caso e é exatamente esse profissional, o fonoaudiólogo, que irá te auxiliar na terapia.

Os objetivos da terapia irão depender das manifestações, portanto, sem receitas de bolo.
E o que esperar como prognóstico? Os pacientes, em geral, respondem bem à terapia, cada um em seu tempo e cada um atingindo o seu melhor potencial. Mais uma vez não é possível massificar, mas existe melhora significativa, principalmente quando a alteração é trazida para consciência e, assim, pode ser controlada pela falante.


Erika Longone
Fonoaudióloga 


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