quarta-feira, 29 de junho de 2016

Tão somente uma questão de respeito


Fonte: Google imagens

Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. 
Não adianta soprar que não passa.

(Martha Medeiros)



É engraçado como todos têm uma receita infalível de cura as doenças alheias, principalmente para aquelas que não se enxergam a olho nu.   

Quando nos vemos acometidos por males que nos enfraquecem emocionalmente e fisicamente somos bombardeados com palavras, muitas vezes bem intencionadas até, de que devemos agir dessa ou daquela maneira, de que devemos nos levantar porque ficar muito tempo deitado não é bom, de que devemos reagir, de que devemos parar de dramas, de que devemos ser fortes, de que devemos tomar tal chá ou remédio que foi bom para alguém que também estava como nós, de que não devemos nos preocupar com coisas que não tem como não nos preocupar e por ai vai.

Essas falas são desagradáveis ao extremo,  uma vez que se fosse algo que dependesse apenas de força de vontade, com certeza nem teríamos adoecido, mesmo porque, quem em sã consciência quer contrair qualquer tipo de enfermidade? Quem quer se ver prostrado em uma cama sem forças até para falar? Quem busca para si sentir dores e toda gama de sintomas que as doenças provocam?

Embora muitos cavem doenças para si, quando se entregam a vícios e vidas completamente desregradas, a grande maioria das pessoas faz de tudo para viver o melhor possível e, mesmo assim, as doenças aparecem,  algumas transitórias, outras incuráveis, mas todas, de algum modo, provocam sofrimentos incomparáveis.

Ter de justificar a própria doença é exaustivo. Ter de explicar que não é falta de força, otimismo ou vontade, é desgastante. Ter de se violentar para não demonstrar fraqueza para os que te cobram coragem é desalentador. Nada disso colabora para a cura, nada disso fortalece, nada disso atenua as dores. Pelo contrário, isso apenas nos deixa profundamente decepcionados por ver que nossos sofrimentos são minimizados e, muitas vezes, menosprezados por aqueles de quem esperávamos apoio e compreensão. 

Não precisamos de receitas mirabolantes de cura, pois já estamos buscando a cura quando nos submetemos, por conta própria, a tratamentos físicos e emocionais, quando não nos recusamos a usar os medicamentos receitados por profissionais qualificados, quando nos esforçamos para superar ou conviver, o melhor possível, com enfermidades.

O que precisamos, de verdade, é que nossas doenças sejam olhadas com respeito, mesmo quando elas não sangrarem, mesmo quando elas não deixarem expostas feridas no corpo, mesmo quando elas não forem passíveis de ser enxergadas apenas com um simples olhar.

Não queremos piedade, não queremos discursos de autoajuda, não queremos comparações... queremos apenas compreensão, apoio e respeito, pois um simples gesto de atenção, carinho e entendimento, pode nos levar à cura, senão à cura completa, ao menos à cura dos sintomas que nos levaram além do limite da nossa energia.

Não estamos doentes porque queremos, estamos doentes porque fomos vítimas de uma fatalidade e todos, sem distinção, poderão passar um dia por isso, infelizmente. Portanto, nunca cobre força de quem está dando tudo de si para sair do buraco em que mergulhou, mas estenda sua mão e o ajude a sair de lá.

Bete Tezine


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