quinta-feira, 30 de junho de 2016

Vitaminas e suplementos podem ajudar no tratamento da esclerose múltipla?


Fonte: Google imagens

Se você toma vitaminas e outros suplementos, você está na companhia de mais da metade de todos os adultos nos Estados Unidos, que fazem o mesmo, na esperança de evitar deficiências nutricionais, evitar doenças crônicas e melhorar a saúde global.  No Brasil, segundo dados da Abenutri, o consumo de vitaminas e suplementos alimentares atingiu os R$ 3,5 bilhões em 2014, um aumento de 69% desde 2009, o que fez o Brasil atingir o 10º lugar no mundo.

Diante de um mercado tão promissor, devemos nos perguntar: vitaminas e suplementos podem ajudar ou influenciar o tratamento da esclerose múltipla? A resposta parece ser um retumbante "depende".

“Tomar vitamina D, por exemplo... Um estudo publicado, em março de 2014, no JAMA Neurology descobriu que um nível mais elevado de vitamina D no organismo possibilitou uma progressão mais lenta da esclerose múltipla e menos lesões novas em pessoas com os primeiros sintomas da doença. Na esclerose múltipla, uma lesão é uma área em que a camada de mielina, que normalmente protege e isola as fibras nervosas, foi danificada”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

Ellen M. Mowry, autora do estudo, professora associada de Neurologia na Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, diz que os resultados do estudo de 2.014 são animadores porque eles confirmam sua pesquisa anterior, quando ela descobriu que baixos níveis de vitamina D estão correlacionados com mais lesões e formas mais ativas da doença.

No entanto, embora as evidências científicas sejam fortes, a pesquisadora permanece cautelosa sobre aconselhar uniformemente os pacientes com esclerose múltipla a tomarem suplementos de vitamina D. Seus argumentos são fortes: "como profissionais, nós queremos ter certeza de aplicar as melhores evidências científicas. Todos os ensaios clínicos ainda estão em curso, então realmente ainda não sabemos se os suplementos de vitamina D ajudam ou não os pacientes”.

Willian Rezende destaca que para aumentar naturalmente os níveis de vitamina D, o paciente com esclerose múltipla pode:
  • Comer alimentos ricos em vitamina D, como peixes, fígado, leite fortificado e cereais fortificados;
  • Tomar sol, sem protetor solar, por cerca de 15 minutos por dia. O corpo pode produzir vitamina D quando a pele é exposta aos raios do sol, mas o excesso de exposição aos raios UV nocivos do sol pode levar ao câncer de pele;
  • Antes de tomar suplementos de vitamina D (ou qualquer outro suplemento), o paciente deve falar com um médico. Isso pode evitar quaisquer interações medicamentosas negativas.

 Outras vitaminas e suplementos podem ajudar?

O neurologista reuniu informações sobre estudos relativos a vitaminas, minerais e ervas que têm sido realizados com pacientes com esclerose múltipla:

Vitaminas antioxidantes: as células do corpo usam oxigênio para funcionar. Quando fazem isso liberam moléculas instáveis ​​conhecidas como radicais livres no organismo que podem causar danos aos tecidos. “Antioxidantes, incluindo as vitaminas A, C e E, para eliminar os radicais livres podem impedir danos. Os antioxidantes estão disponíveis em alimentos saudáveis ​​- vitamina A em frutas e legumes como cenoura, abóbora, melão, pêssegos, brócolis; vitamina C em frutas cítricas, vegetais de folhas verdes e morangos; vitamina E em nozes, sementes, grãos integrais, óleos vegetais, folhas verdes e legumes. Embora eles sejam importantes para a saúde global, não há estudos conclusivos sobre se os antioxidantes podem melhorar o curso da esclerose múltipla. É preciso mais investigação científica”, destaca o neurologista.

Selênio: o selênio é um mineral com propriedades antioxidantes que é encontrado em frutos do mar, legumes, grãos integrais, carnes e laticínios. Pessoas com esclerose múltipla podem ter níveis mais baixos de selênio do que pessoas que não têm a doença. “Um estudo publicado em junho de 2014, no Journal Nutrition, descobriu que os hábitos alimentares podem ter um impacto significativo sobre os níveis de selênio dos pacientes. O estudo também concluiu que o tabagismo e a terapia medicamentosa podem ter um efeito negativo sobre o status antioxidante total das pessoas com a doença. Mais pesquisas são necessárias para chegarmos a uma conclusão sobre o assunto”, afirma  Willian Rezende.

Ginkgo biloba: um extrato de ervas com efeitos antioxidantes, é tido como um “bom produto para melhorar a memória”. “No entanto, num estudo publicado em setembro de 2012, no Neurology, o gingko biloba foi comparado a um placebo e descobriu-se que ele não melhorou o desempenho cognitivo de pessoas com esclerose múltipla”, conta o médico.

Valeriana: pessoas com esclerose múltipla, muitas vezes, têm problemas para dormir e fazem uso desse fitoterápico para ajudá-las. “Mas de acordo com os National Institutes of Health, os estudos sobre os efeitos promotores de sono da valeriana são inconclusivos. A substância é muitas vezes bem tolerada, mas a valeriana pode afetar a prescrição de alguns medicamentos para a esclerose múltipla, aumentando seus efeitos sedativos”, alerta o neurologista.

Probióticos: muitas vezes, essas substâncias são denominadas de “bactérias boas”. Os probióticos são encontrados em alimentos, tais como iogurte, bem como em suplementos. “Um estudo publicado na conceituada Neurology, em Abril de 2014, evidenciou que o microbioma do intestino tem influência nos fatores epigenéticos tanto pró-inflamatório como anti-inflamatório. Ou seja, dependo da flora intestinal que temos, ela pode deixar o nosso organismo mais (ou menos) suscetível a inflamações e isso tem total relação com uma doença inflamatória como a esclerose multipla”, conta Willian Rezende.

Mais estudos são necessários

Segundo Willian Rezende, “a conclusão sobre todos os estudos anteriores é que mais ensaios clínicos são necessários, antes que recomendações possam ser feitas sobre quais as vitaminas, minerais e outros suplementos podem ajudar os pacientes com esclerose múltipla. É sempre importante lembrar que altos níveis de vitaminas essenciais e até mesmo outros suplementos podem ser perigosos. O conselho sobre o uso desses recursos é: o paciente com esclerose múltipla deve conversar com o seu médico e perguntar se algum deles pode ajudá-lo, em que quantidade, durante quanto tempo”, orienta.
  

Willian Rezende do Carmo 
CRM-SP 160.140 

Neurologista, com especialização em Dor, pela USP. Para saber mais sobre a esclerose múltipla, acesse nossa playlist de vídeos sobre o tema: https://www.youtube.com/playlist?list=PLLJYTEvgFMH-z6p7SooZxQVZzmPHSezy3


Um comentário:

  1. Sobre a vitamina D, através apenas de alimentação e exposição solar não é possível o portador de Esclerose Múltipla e outras doenças autoimunes, atingir o nível ideal. Em países ensolarados este nível deve estar entre 54 e 100 ng/ml (Estudos de Michael Holick, pioneiro nos estudos de vitamina D, ele que descobriu a forma ativa da vitamina D no inicio da década de 70).

    Este problema pois portadores de doenças autoimunes tem um erro genético (gene CYP27B1) ele converte a vitamina D inativa em vitamina D ativa (Calcitriol) e este hormônio que é responsável por trazer a melhora nos pacientes de E.M.

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