quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Inflamação do cérebro associada à depressão na esclerose múltipla


Fonte: https://goo.gl/GjeNne

Pacientes com esclerose múltipla têm maiores taxas de depressão do que a população em geral, incluindo as pessoas com outras doenças incapacitantes ao longo da vida. 

Os sintomas da esclerose múltipla surgem a partir de uma resposta anormal do sistema imune do corpo. A resposta imunológica também tem sido associada à depressão, o que levou os pesquisadores a pensarem que poderia haver um mecanismo patológico partilhado que leva ao aumento das taxas dos sintomas depressivos em pacientes com esclerose múltipla.
  
“Um novo estudo, publicado na Biological Psychiatry suporta esta hipótese, fornecendo evidências de que a inflamação do hipocampo, uma região do cérebro envolvida na gênese e na manutenção da depressão e na patologia de esclerose múltipla, altera a sua função e contribui para os sintomas da depressão. Este estudo liga a inflamação do hipocampo à depressão”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

A equipe de pesquisa combinou duas técnicas de imagem cerebral complementares para estudar a relação entre a resposta do hipocampo imunológico, conexões funcionais e sintomas depressivos em 13 pacientes com esclerose múltipla e 22 indivíduos de controle saudáveis. A tomografia de emissão de positrões (PET) permitiu a quantificação da microglia ativada, uma medida de resposta imune. A ressonância magnética funcional (fMRI) avaliou a força das conexões do hipocampo a uma extensa rede de regiões do cérebro envolvidas na emoção.

A imagem PET revelou ativação imune no hipocampo de pacientes com esclerose múltipla. Os pesquisadores também descobriram que mais inflamação estava associada aos sintomas mais graves de depressão.

Medidas de conexões cerebrais funcionais com fMRI, durante o repouso, mostraram que a ativação imune no hipocampo altera suas conexões com outras regiões do cérebro. O estudo, que combina dois métodos de imagem complementares do cérebro avançados, sugere que a inflamação do hipocampo afeta a função do cérebro e provoca a depressão.

“As descobertas sugerem que a inflamação do hipocampo poderia ser a causa de altas taxas de depressão na esclerose múltipla. Os autores defendem que um tratamento eficaz e orientado da inflamação do cérebro pode ajudar a restaurar a função cerebral e proteger contra a depressão na esclerose múltipla”, diz o neurologista.
  

Willian Rezende do Carmo 
CRM-SP 160.140 -  Neurologista, com especialização em Dor, pela USP. Para saber mais sobre a esclerose múltipla, acesse nossa playlist de vídeos sobre o tema: https://www.youtube.com/playlist?list=PLLJYTEvgFMH-z6p7SooZxQVZzmPHSezy3


Perfil completo:

Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, MG;
Residência médica em Neurologia, no Hospital Odilon Behrens, Belo Horizonte, MG;
Capacitação em Medicina do Sono no Instituto do Sono, São Paulo, SP;
Capacitação em aplicação de toxina botulínica tipo A, pelo IMREA, Hospital das Clínicas, FMUSP, São Paulo, SP;
Especialização em Dor pela USP, SP;
Coordenador da Neurologia no Hospital Santa Helena, São Paulo, SP;
Plantonista da Telemedicina, no setor de AVC, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo, SP;
Médico assistente da retaguarda de Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo, SP.


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