segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Nem tudo que parece é!


Fonte: Google imagens

Olá leitores queridos! É com muito prazer e carinho que escrevo o meu primeiro artigo deste ano, 2017, desejando que seja um ano rico em saúde, estudos e descobertas científicas benéficas às pessoas que possuem com esclerose múltipla e afins. 

Novamente, escrevo tendo como base minhas experiências e de alguns colegas que convivem com a E.M.

Há um ano, exatamente, tive o grande prazer de ser mãe, algo maravilhoso e indescritível! 
Com isso, claro, conto que há a parte feliz, mas há também o ônus. 

Faz 12 meses que tenho sentido enorme dificuldade para desenvolver minha marcha. Neste período, tive algumas quedas, inúmeros entorses de tornozelo e dificuldades para levantar. Cada vez que tento me colocar em pé tenho impressão de estar carregando 10 toneladas em cada perna. Mas a situação se agravou muito nos últimos dias, passei a sentir dores insuportáveis e literalmente incapacitantes.

Surto,  apesar de parecer, sabia que não era, pois minha médica, Dra Mirella Fazzito, em quem deposito total confiança, garantiu-me não ser e, menos ainda, progressão da doença. Então, procurei um ortopedista, pois algo de errado estava acontecendo. 

Fui em uma clínica habitual que sempre me socorre em minhas entorses e não por acaso, mas por providência divina, ou do universo como preferirem, um médico diferente do que pedi me chamou para a consulta. Achei estranho e pensei comigo: depois reclamo com a recepcionista que me colocou com este médico. Fiquei quieta e deixei ele fazer o serviço dele. 

Ao ver que estava na cadeira de rodas, conduzida por minha filha do coração, a Giovanna, com muita dificuldade, ele foi ao meu encontro e  me levou até sua sala com muita gentileza e com toda cordialidade do bom mineiro, assim como minha saudosa avó, perguntou-me: o que te acontece?  Foi aí que narrei  a dolorosa e complicada situação em que me encontrava. Ao terminar, ele deu um sorriso gostoso de canto de boca e disse: - vou te contar uma história: No condomínio onde moro, sempre participo das reuniões e em todas tinha um sujeito que contava  o mesmo acontecido. Para justificar seu estado físico, às vezes de muletas, outras de cadeira de rodas, outras tropeçando, ele dizia que era delegado e que estava daquele jeito porque tinha levado um tiro nas costas devido à profissão, um ato heroico e bonito. Até que um dia me cansei e falei pra ele, escuta, por que é que você mente e não conta que tem esclerose?! Ele ficou vermelho e disse que era por vergonha e medo do preconceito. 

A consulta continuou, ele contou-me mais sobre o "delegado herói" e começou a me explicar com palavras metafóricas:  escuta, o teu corpo é como uma máquina e esta máquina, no seu caso, tem um problema e precisa de uma coluna para funcionar e te sustentar, mas a tua está toda enferrujada, não te aguenta mais porque você não está passando óleo nela. E se continuar sem passar óleo vai quebrar e não vai funcionar mais! Sabe o que é o óleo? É a fi-si-o-te-ra-pi-a! Sim, isso mesmo! 

Interrompi o que ele dizia com um mas eu faço e ele disse: está fazendo errado, senão não estaria assim! 

Eu Disse: doutor, estou com muitas dores, não estou nem conseguindo dormir e ele falou: você vai fazer do modo que eu estou escrevendo aqui no pedido e, a cada duas semanas, volte aqui para eu fazer um novo pedido de fisioterapia. Tem que passar óleo, senão a máquina quebra e não conserta mais. 

Pedi a ele um anti-inflamatório e ele disse: mas você não acha que já tem problemas demais para ficar "arrumano" outro?! Deixa um pouquinho "pros outro"! Vou te passar um analgésico que não vai enferrujar ainda mais a máquina e, quando acabar, volta aqui que te passo mais porque esse precisa de autorização! 

Mandou que aplicassem uma injeção para dor e me mandou voltar para uma próxima consulta com os músculos da "máquina" mais fortes e arrumados, pois o problema dela era ferrugem na estrutura, ou seja, meus músculos! E encerrou a consulta dizendo: " Vai com Deus e conserte a estrutura da máquina!" 

Disse ainda, na despedida:  teu quadril uma hora destas cai, a lombar trava e não levanta mais, hein?! 

Tudo o que ele disse foi o que minha neuro sempre me explicou e minhas fisioterapeutas também, mas que a fadiga e as dores às vezes me impedem de fazer.

Temos sim que fazer fisioterapia sempre, mas com cautela, como me orienta a professora Ana Bifulco e minha amiga Renata Antunes, fisioterapeutas.

A fraqueza muscular é um problema sério para quem tem esclerose múltipla, podendo levar até à incapacidade física e, por consequência, gerar muita fadiga, por isso vamos nos exercitar.

Deixo aqui, alguns sites para que entendam a importância de fortalecer os músculos para que a "máquina" possa funcionar, conforme disse o ortopedista. 

E, insisto, nem tudo é surto! 

Um ótimo ano, abençoado por Deus!

Evelyn Cristina
Pedagoga




Me chamo Evelyn Cristina, tenho 33 anos, sou pedagoga por amor e vocação e mãe de um lindo menino. 
Aos 25 anos de idade, descobriu-se em mim a esclerose múltipla. Foi aí que precisei de um tempo para apreender como viver para, assim, viver com os constantes  desafios que a vida me impõe. E, hoje, vivo cada instante com muita fé, resiliência e amor






Fontes:



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