quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Quando enganamos a nós mesmos...




2016 terminou. Não foi um ano fácil para a esmagadora maioria dos brasileiros. 

Vivenciamos dificuldades nas mais diversas esferas. O cenário político do país, com suas conturbações, acabou por refletir negativamente e em grande escala na economia e em todos os seus "acessórios", por assim dizer.

Ano velho, que você não permita que seus fantasmas nos assombrem no decorrer do novo ano que se inicia, que como todos os demais chegou carregado de esperanças e boas resoluções que caso consigamos colocar ao menos uma ínfima parcela delas em prática, seremos capazes de redimensionar o cenário em que vivemos.

Eu não costumo ficar à espera de que a sorte me brinde com a sua presença. Pelo contrário, eu acredito que as boas colheitas são o resultado de uma conta simples: QUERER + AGIR . É fácil e eu sempre coloco em prática essa adição? NÃOOOOOOOO!!! Muitas vezes eu apenas quero, sem ação, e em outras eu até ajo, mas sem um querer concreto, o que me leva invariavelmente a estancar em um determinado ponto.

Mas e aí, como é que eu faço para retomar a caminhada, mesmo que a passos curtos, rumo à realização dos projetos traçados? Eu acordo! Isso mesmo, eu desperto do "transe" que me envolveu momentaneamente, atrasando o alcance das metas a que me propus.

Vou confessar, às vezes eu me saboto. Cometo um dos maiores crimes, no meu entender, que um ser humano pode cometer contra si mesmo: a autoenganação. Eu finjo que estou dando o meu melhor quando, na verdade, estou apenas tentando me iludir. Exemplos? Quando eu me apoio em desculpas para justificar minha inércia: "hoje não vou à terapia porque está chovendo ou fazendo sol",  "hoje não vou aplicar a medicação porque estou com dor de cabeça", "hoje não vou ao pilates porque estou com fadiga" e por aí vai... São minhas "bengalas emocionais" (como bem disse Wilson Gomiero, no post Bengala) que, sem o mínimo orgulho, assumo que utilizo muitas vezes. 

O que quero demonstrar com essa minha "confissão"? É simples! Quero apenas dizer que somos HUMANOS e, como tais, estamos sujeitos a "deslizes" como a autossabotagem no decorrer da vida.

É normal? Sim, é! É o certo? Não, não é! E o que fazer para que deixemos de nos iludir  voluntariamente? 

Não existe receita pronta, mesmo porque, em nossa imensurável diversidade humana, somos seres únicos, inigualáveis e que possuem formas de agir, pensar, compreender e de enfrentamento completamente diversas entre si. Minha forma de conviver com a Esclerose Múltipla jamais será a mesma que a de outra pessoa com a mesma patologia. Minhas reações perante as adversidades são as minhas reações e eu nunca poderei cobrar de ninguém que reaja como eu frente aos mesmos obstáculos. 

Apenas existe um ponto que deve ser comum a todos: DEVEMOS, PRECISAMOS, NECESSITAMOS deixar de lado a autoenganação e dar o nosso melhor em tudo o que nos propomos a realizar. Seja a realização de um sonho, seja o tratamento (medicamentoso e não medicamentoso) para a nossa companheira múltipla, seja a busca pelos projetos que traçamos no raiar de cada novo ano. Seja qual for a situação em que estejamos imersos, TEMOS a OBRIGAÇÃO de sermos o melhor que pudermos ser, dentro do que é possível nas condições que temos naquele instante, mas com vistas a que sempre poderemos ser melhores no futuro, como diz Cortella.

Vamos abandonar nossas "muletas"?

Bete Tezine



"A arte, em todas as suas formas de expressão, tem o poder de mudar os rumos de uma história que desde o começo estava fadada ao fracasso..." 
 (Bete Tezine)


Nascida em Santo André, SP, 49 anos, advogada, artista plástica, professora universitária de Artes Plásticas, mãe de 2 filhos (1 adulto e 1 adolescente), diagnosticada com Esclerose Múltipla em fevereiro de 2012 e atual presidente da ABCEM




2 comentários:

  1. Bete, como falo com vc fora daqui? Tmb fui diagnosticada com EM em 2014. Gostaria de saber como foi o progresso da doença com vc?

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    1. Olá Chang, tudo bem?
      Você pode me contatar pelo email: betetezine@abcesclerosemultipla.org.br ou pelo facebook: Bete Tezine.
      Aguardo seu contato!
      Grande abraço!

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