terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Saindo do forno


Fonte:cee.fiocruz.br 

O post de hoje tira do forno não uma receita da nutri, mas sim um estudo que a divisão de Saúde e Medicina da "National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine" apresentou no começo do mês de Janeiro. O estudo apresenta e classifica as evidências para os efeitos da Cannabis no tratamento para diversas doenças, incluindo a Esclerose Múltipla (EM). O nome do estudo é "The Health Effects of Cannabis and Cannabinoids: The Current State of Evidence and Recommendations for Research". Alguém já leu? Deixo o link nas referências do texto.

Um Comitê de profissionais das diversas áreas da saúde foi formado a fim de realizar o estudo. O estudo consistiu em uma revisão sistemática, em que analisou-se e reuniu artigos sobre o uso da Cannabis publicados desde o ano de 1999 até o ano de 2016. O comitê estipulou alguns desfechos de interesse principais para o estudo, entre eles o nível de evidência para os efeitos terapêuticos da Cannabis e seus compostos.

O estudo apresenta suas conclusões a partir de níveis de evidência sobre os aspectos analisados. Ao que se refere ao uso terapêutico na Esclerose Múltipla, a revisão sistemática apresenta que há evidências substanciais na literatura científica para o efeito positivo do uso de medicações com canabinóides na melhora da percepção de pacientes sobre o sintoma de espasticidade. Apresenta como evidência limitada a melhora clínica destes sintomas de espasmo; assim como evidências moderadas para a melhora do sono e evidências limitadas para a melhora dos sintomas de ansiedade - no caso da ansiedade, com foco nos indivíduos em geral, com ou sem diagnóstico de EM. Nesta mesma revisão sistemática, apresentou-se também evidências substanciais, sem especificar o grupo populacional, para a piora de sintomas respiratórios e episódios mais frequentes de bronquite crônica quando há uso prolongado da Cannabis, e chance de baixo peso ao nascer de bebês cuja mãe fez uso enquanto grávida.

O uso medicinal dos compostos da Cannabis é diferente de seu uso recreativo. Em alguns países, em que a terapêutica com Cannabis é autorizada, os canabinóides são oferecidos em forma de cigarro, contudo com um importante, e não tão simples, controle de combinação e quantidade destes canabinóides para se chegar aos efeitos esperados sem consequências não desejáveis. Conforme o próprio Comitê da pesquisa afirma, ainda é necessário muito esforço dos órgãos de pesquisa e saúde ao redor do mundo para obter-se pesquisas amplas e conclusivas sobre a terapêutica.

Muitas notícias e informações são divulgadas nas mídias. Estar atento de forma crítica é fundamental para o progresso com qualidade desses estudos. Para isto, a troca de informações entre pacientes, entre profissionais e entre pacientes - profissionais é de extrema importância.

Fernanda Sabatini
Nutricionista

Referências

National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine. The Health Effects of Cannabis and Cannabinoids: The Current State of Evidence and Recommendations for Research; 2017. Disponível em <https://www.nap.edu/catalog/24625/the-health-effects-of-cannabis-and-cannabinoids-the-current-state


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