sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Saúde mental


Fonte: Google imagens

 Terminando o ano passado, recebi duas notícias que antes me causariam muito nervoso.

Dias antes do Natal recebi um e-mail do RH de onde eu trabalhava, dizendo que primeiramente a minha reconsideração de uma licença negada, não foi aceita e que o próximo passo seria entrar com o recurso até o dia 13 de janeiro. No momento, essa foi minha primeira preocupação, afinal, em janeiro os médicos costumam estar de férias, ainda mais no início.

Porém, no mesmo e-mail, constava que eu havia sido convocada para uma perícia de aposentadoria em São Paulo, também em janeiro, mas no fim do mês.

A princípio fiquei tão revoltada com a primeira notícia que nem havia notado a segunda....rs. Contudo, estava eu e o Baby no carro, correndo atrás dos preparos para a ceia, então extravasei, xinguei bastante e ponto final. Após esse momento, respirei fundo e racionalizei. Lembrei dos meus 8 anos de acompanhamento psicoterapêutico e consegui diluir e esquecer o transtorno e começar a correr atrás dos documentos que iria precisar.

O que me deixou muito chateada foi saber que meu Doutorzinho estaria ausente para garantir meu laudo para aposentadoria e eu teria que incomodar ainda mais o meu anjo em forma de médica. Também poderia ter pirado quando ela me disse que estava de férias e só retornava no dia 10.

Confesso que nos dias próximos chorei pra secretaria trocar uma consulta que eu havia marcado tinha três meses, para que o meu prazo desse certo. E foi um tanto tensa a espera, mas mantive a regra: não sofrer por antecipação! 

Estou contando essa minha experiência hoje, para enfatizar a campanha do Janeiro Branco e mostrar que para nós que carregamos a EM como um acessório em nossas vidas, é de extrema importância ter um acompanhamento de um profissional da saúde mental. No meu caso faço terapia com uma psicóloga, mas pode ser um acompanhamento com psiquiatra ou terapeuta ocupacional que também cuida da nossa saúde mental. 

O diagnóstico é um momento muito difícil, porém acredito que o mais delicado é  quando que você vai descobrindo suas limitações e percebendo que a EM é diferente em cada pessoa. Depois as expectativas de tratamento, que achamos que vai melhorar só de tomar o remédio, mas que na verdade ainda não sabemos que se não estamos piorando é que estamos como se fosse, melhorando.

A aceitação de uma doença crônica, sem cura e que progride, com acompanhamento de um desses profissionais, fica muito menos penosa para o paciente e toda sua família. 

Estou aqui focando a necessidade de um acompanhamento psicológico no caso da EM, mas eu acho que todos deveriam procurar esse acompanhamento. Saúde mental é tudo. Aprendemos a aprender conosco mesmo, nos ouvindo, nos questionando e nos respondendo, sobretudo com um profissional intermediando esse diálogo, entre você e você mesmo.

Quando perceber estará se compreendendo melhor, sofrendo menos e se sentindo bem mais leve. Quem não sai de uma sessão de terapia e parece que descarregou um caminhão que carregava nos ombros ?

Ah isso é muito bom. Não tem porque a gente acreditar que temos que passar por tudo sozinhos. Essa ajuda multidisciplinar faz parte do tratamento. 

E agora é manter a calma e  seguir adiante. Passo pela perícia na terça e hoje tive um primeiro exemplo de perícia, porque fiz a de praxe pra manter o afastamento e o médico fez um exame clínico específico. Eu sei que será muito estressante aquela situação, porém, quero continuar serena para não passar mal de tontura, falta de equilíbrio e fraqueza que o nervoso também desencadeia. 

Queridos amigos, peço gentilmente que torçam por mim.

Mil beijinhos e até mais!


Fabi 


Eu me chamo Fabiana Dal Ri Barbosa, mas me chamam de Fabi. Tenho o blog A vida com Esclerose Múltipla desde 2009, onde trocamos experiências e conhecemos algumas novidades relacionadas à EM.
Sou uma pessoa que não vive sem música, se sente feliz na maioria dos dias, pira de vez em quando por pensar demais, é preocupada demais também, mas apaixonada. Amo escrever, assistir filmes, estudar francês, piano, canto e Teatro.


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