quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Vamos continuar a nadar?


Fonte: http://novonerd.xpg.uol.com.br/procurando-dory-continue-a-nadar-sempre/

Meu nome é Rosângela e, antes de ser diagnosticada com Esclerose Múltipla, recebi vários diagnósticos. Perdi a conta de quantas vezes o médico disse que eu iria morrer logo - fiz vários tratamentos e até cirurgias. Não é fácil ter EM, mas confesso que me manter viva é, para mim, muito mais difícil, pois sofro muito preconceito. Quando estou em algum lugar e uso meu direito de pessoa com doença grave, quase apanho.

Fui casada e tive duas filhas, porém, quando fiquei viúva, decidi encontrar um companheiro; foi um desastre: ele tirou tudo de mim e ainda me agredia. Como nunca aparentei estar doente, sofro com o pré-julgamento da falsa saúde, mas sigo minha vida: ano que vem volto a trabalhar e ainda desejo encontrar o amor nesta vida. EM é difícil, mas tem muita coisa pior. Me sinto orgulhosa de conseguir seguir com minha vida e tentando ser menos peso para minha filha - heroína e companheira, que está sempre do meu lado.

Eu aprendi uma coisa com a EM: por muitas vezes, podemos não transparecer o que sentimos, quanta dor sentimos ou como é difícil muitas vezes fazermos coisas tão simples como levantar da cama, mas o ser humano se importa mais com seu bichinho de estimação do que com seu próximo. Há poucos dias sofri um infarto e notei algo que me deixou triste (mas não surpresa): ninguém do prédio onde moro se mobilizou para ajudar, nem sequer me perguntaram se estava melhor. Ao contrário, pelo facebook recebi várias mensagens de apoio, carinho, e assim me senti aconchegada por pessoas que nunca vi. A EM é uma doença terrível como tantas outras, mas o mais terrível é o desprezo, o descaso que recebemos dos órgãos públicos e profissionais que deveriam nos auxiliar em nossa busca para amenizar o nosso sofrimento. A indiferença humana e falta de sensibilidade, acredito, são os piores males deste mundo.

Não sinto revolta e nem deixo transparecer o quanto sofro por ter EM, pois isso não vai mudar minha situação e ainda pode piorar o preconceito. Preconceito existe sim, pois uma vez o meu ex-marido já me perguntou se EM era contagioso - tadinho, tão burro! Santa ignorância! Pelo menos ele perguntou - os piores são os que nada falam e muito pensam.


Finalizando meu depoimento para quem tem EM: somos especiais, somos guerreiros e vencemos todos os dias uma luta injusta e solitária. Vamos continuar a nadar, como diz a Dory.


Rosângela Burbach
Fonoaudióloga


Meu nome é Rosângela Burbach, sou fonoaudióloga com mestrado, divorciada e tenho 2 filhas. Fui diagnosticada com Esclerose Múltipla em 2008.




Um comentário:

  1. Boa noite Rosângela, parabéns e obrigado por dividir conosco um pouquinho de você . Não tenha dúvidas, #Somos guerreiros mesmo e juntos somos mais fortes sempre!#
    Fique com Deus ,🙆😘

    ResponderExcluir