segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Conversando sobre seu medicamento injetável




Como lidar de uma forma mais positiva com as medicações injetáveis e seus efeitos colaterais ou indesejáveis?

Não adianta fugir da situação pelo desconforto, as medicações só funcionam quando utilizadas da forma indicada. Pular doses porque se sente bem ou porque não quer passar pelos possíveis desconfortos só trará mais problemas futuros. Surtos mais frequentes e graves é um risco e o que se quer que seja a modificação da evolução da doença se perde.
Sem adesão adequada, sem eficácia preconizada.

Como olhar para seu remédio com um olhar mais tolerante e benevolente, afinal ele é seu parceiro e não inimigo?

Discutirei, hoje, algumas estratégias na utilização dos remédios injetáveis que minimizam seus possíveis desconfortos:
  • Retire a medicação da geladeira nos dias quentes, duas horas antes da aplicação e, nos dias frios, quatro horas antes.
  • Antes da aplicação coloque a injeção como um termômetro, na região axilar, para que ela adquira sua temperatura corporal. 
Quanto mais a temperatura for próxima a do ambiente,  menor   contratura   do tecido que recebe a aplicação, menor dor, menor risco  de formação de “caroços” locais.
  • Sempre higienize as mãos antes da manipulação das injeções. Lave-as com água e sabão e após álcool 70%.
  • Na região que receberá a injeção, faça a higienização com álcool 70%.
  • Respeite o rodízio de aplicação. Estamos falando de um tratamento de período indeterminado, a pele com o decorrer do tempo fragiliza-se, maior risco de ocorrer ferimentos, endurações, que podem torná-la inviável para futuras aplicações. Precisamos deixar as áreas se recuperarem.
Avonex®
Aplicação intramuscular


Subcutânea
Rebif® betaferon®copaxone®

Essas condutas reduzem o risco de infecções, ferimentos e endurações.

  • Antes da aplicação, faça por cinco minutos compressas com gelo sobre a região da pele que receberá a injeção. Após a aplicação, repita o procedimento com o gelo por mais cinco minutos. Isso anestesia o local e diminui a dor da aplicação. Algumas pessoas se beneficiam mais de compressas quentes. Experimente o que lhe traz mais conforto.
  • Cuide da sua pele. Hidrate-se bem. Alimente-se bem. Hidratar a pele é dar a ela condições para se manter elástica e macia. A hidratação evita o ressecamento da peleuma. Boa hidratação é fundamental para uma pele bonita, viçosa e saudável. Quando a pele está hidratada, sua camada de proteção se mantém íntegra e problemas como descamação, ressecamento, envelhecimento precoce, irritações e infecções são evitados. Para manter a hidratação, a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda o uso diário de um hidratante adequado ao seu tipo de pele, além da ingestão de dois litros de água para que a hidratação seja feita por dentro e por fora. É importante também manter uma dieta rica em fibras, com muitas frutas e verduras; evitar o uso excessivo de sabonetes e buchas, assim como banhos muito quentes e demorados (principalmente no inverno); evitar exposição excessiva ao sol e usar protetores solares com proteção UVA e UVB.
  • Transforme as injeções em parte de sua rotina diária. Por isso, é recomendado determinar um horário que seja mais tranquilo para fazer a aplicação todos os dias e no qual você esteja com mais disposição. 
  • Não injetar o medicamento apressadamente e nem com distrações, como na frente da TV, por exemplo. Escolha um local onde seja possível relaxar.
  • Não injetar o medicamento após a prática de exercícios físicos ou após um banho quente.
  • Não injetar a droga onde há inchaço, nódulos sólidos ou dor.
  • Na aplicação siga as orientações do fabricante quanto à posição do injetor ou seringa na hora da penetração na pele. O ideal é aplicar em um ângulo de 90 graus. Observe refluxo de líquido, sangramento, hematomas. Observe retrações na pele, ferimentos, endurecimentos, caroços. Qualquer alteração nos locais da aplicação converse com seu médico. Solicite suporte dos apoios ao paciente dos fabricantes.
Os interferons apresentam efeitos colaterais que simulam quadro gripal (flu like): dor de cabeça, dores no corpo, calafrios, febre, fadiga. Habitualmente isso se minimiza com o decorrer do tempo e uso e tendem a desaparecer entre o terceiro e sexto mês de uso. Há duas condutas que podem suavizar esses sintomas desconfortáveis e muitas vezes limitantes:

1) Titular a dose inicial da medicação

Não iniciar com a dose  total, mas ir  graduando paulatinamente. Eu costumo orientar da seguinte forma: 
  • 1ª semana – ¼ do frasco
  • 2ª semana – ½ frasco
  • 3ª semana - /4 frasco
  • 4ª semana em diante dose total – 1 frasco inteiro

Essa titulação não será possível de ser realizada na apresentação caneta autoinjetável.

2) Utilize analgésico-antitérmicos/antitérmicos/antiinflamatórios pré-aplicação e após (exemplos: dipirona, pracetamol, ibuprofeno):
  • 2 horas antes da apliação
  • 4 horas após

 Não se automedique, pergunte para o seu médico qual é a melhor opção para o seu caso.

Deixe a aplicação como a última atividade do dia e evite o risco de qualquer desconforto atrapalhar a sua rotina.

Não se esqueça de descartar as seringas, após o uso,  na caixa de        descarte      próprio (descarpak). Pode-se levá-la a qualquer Posto de Saúde quando cheia para a adequada eliminação.


Liliana Russo
Neurologista


Paulista, médica graduada em 1987 pela faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes. Pelo interesse e grande curiosidade do desempenho da mente humana e bem como a interação do sistema nervoso central com o meio interno e externo, especializou-se em Neurologia Clínica , em 1990, pelo Hospital do Servidor Público Estadual. Buscou estudar a relação de trabalho e riscos à saúde, realizando estudo lato sensu, em 1997, pela Universidade São Francisco. Não satisfeita com a visão cartesiana e Galênica do ser humano e da medicina atual, buscou uma visão mais holística, por meio de especialização lato sensu em Homeopatia, em 1996, pelo Centro de Estudos do Hospital do Servidor Público Municipal e Medicina Tradicional Chinesa, em 2000, pelo mesmo Centro. E é com esta óptica amplificada que visualiza e aborda o ser humano hoje. Atuação Profissional: Médica Neurologista - sócia e Diretora Técnica da Holus Serviços Médicos Ltda - Médica Neurologista Assistente da Casa da Esperança de Santo André - Médica Neurologista e de Apoio nas Atividades Científicas da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla - Médica Neurologista Voluntária no Ambulatório de doenças desmielinizantes, da Faculdade de Medicina da Fundação ABC. Participante em diversos congressos nacionais e internacionais e publicação de artigos científicos.


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