quinta-feira, 6 de abril de 2017

Não somos diferentes, somos especiais!


Fonte: https://mariocampello.wordpress.com/2011/07/16/somos-especiais/

Minha vida antes da Esclerose Múltipla era muito diferente. Em certos pontos melhor e em outros pior. Era casada, tinha dois filhos, uma saúde de ferro da qual me orgulhava muito, faculdade, passei em primeiro lugar no concurso da prefeitura para professora. 

Estava nos primeiros 5 anos de exercício do magistério quando do nada comecei a falhar, dores de cabeça diariamente, formigamento, dormência, tontura, sintomas que foram só aumentando com o tempo. Mesmo com tudo isso trabalhava sem parar, pois achava que era só estresse. Um belo dia os sintomas aumentaram de tal forma que fui parar no SPA ( Serviço de Pronto Atendimento) onde me medicaram e me encaminharam para o neurologista. 

Na primeira consulta ouvi que tinha tido um princípio de AVC e que não era nada demais. Imediatamente retornei ao trabalho, porém os sintomas só aumentavam e passei a ter espasmos musculares, por isso decidi procurar um novo neurologista que me diagnosticou com epilepsia para o que passei a fazer uso de medicação e nada de melhorar, ao contrário, novos sintomas começaram a aparecer. Comecei a tremer as mãos sem parar. 

Resolvi mudar de médico e o novo disse que eu tinha mal de Parkinson, comecei o tratamento e nada. Troquei de novo e o próximo disse que era Miastenia Gravis, mais remédios e nenhum resultado. 

Por fim já estava em profunda depressão, com meu trabalho prejudicado, as pessoas achando que era fingimento, no fundo do poço, foi quando a psicóloga perguntou se eu não queria tentar um quinto neurologista, que ela conhecia, especialista em doenças neurológicas, no entanto tinha um porém, era particular e a consulta a mais cara da cidade. 

Resolvi tentar pela última vez e, logo na primeira consulta, ao me examinar e ouvir meu relato, ele simplesmente falou:  você tem ESCLEROSE MÚLTIPLA. Solicitou uma ressonância e o liquor, confirmando o diagnóstico. 

Devo confessar que não recebi bem o resultado, pois as informações que tinha sobre a EM é que com o tempo eu perderia os movimentos do pescoço pra baixo, teria dificuldade para comer, falar etc. O médico ainda me deu 2 anos de vida. Foi um período terrível, o tratamento foi muito agressivo no começo, com corticoides. Fiquei na cadeira de rodas e me recuperei. 

Então com o tempo fui conhecendo mais sobre a doença, fui me adaptando às dificuldades e hoje estou aqui, 4 anos depois, firme e forte. Meu relacionamento com meu marido melhorou, pude descobrir quem são os verdadeiros amigos, a única coisa que me entristeceu foi não poder mais exercer minha profissão, o resto eu tiro de letra, até o fato de ter dobrado de peso rsrsrsrs. Sou feliz, não me sinto diferente de ninguém, não culpo ninguém pelo que me aconteceu, acredito que se Deus me escolheu dentre tantos para ser portadora de esclerose múltipla é porque ele sabia que eu ia ser capaz!!! 

Não somos diferentes, somos especiais!!!

Walcilene Saraiva Gomes











3 comentários:

  1. Parabéns!
    Obrigado por dividir com a gente , um pouquinho da sua história, com certeza muda o cenário, os autores mas sempre algo em comum nos relatos e experiência, cada um de nós com as peculiaridades que nossa amiga Múltipla nos infligem né ... Mas realmente é como você disse, não somos diferentes , apenas especiais ...
    Grande abraço!
    Deus abençoe você e sua família.Lembre se sempre, que juntos somos mais fortes!
    😉🤓
    👏👏👏👏👏👏👏👏

    ResponderExcluir
  2. Percebo, cada vez mais, que os neurologistas e outros médicos, também tem pouco conhecimento da doença. Acabam achando que temos qualquer outra coisa, menos Esclerose Múltipla !

    ResponderExcluir