terça-feira, 18 de abril de 2017

O que você sente tem um porquê


Fonte: http://amor-nunca-faz-sentido.tumblr.com/

Se há algo que valorizo em uma atuação profissional é o reconhecimento dos limites e potencialidades da atuação. Sou nutricionista e, como tal, uma profissional da área da saúde.  Enquanto profissional da saúde, faz-se necessário para mim enxergar a complexidade e amplitude da saúde humana e dialogar sobre isto.  Penso na saúde humana como produto de uma interação natural entre as situações internas a cada indivíduo (memória, emoções, sentimentos, sensações, aspectos metabólicos, bioquímicos etc) e externas (aspectos financeiros, convívio social, crenças, história familiar, momentos e experiências interpessoais).

As reclamações e angústias de outras pessoas não são por vezes nossas angústias e reclamações. Contudo isto não minimiza a dor no outro. Como você reage ao outro influencia no que este sente. O que o outro sente atrela-se à saúde deste.

O historiador Leandro Karnal comenta em uma de suas palestras sobre a ofensa enquanto produto da aceitação desta ofensa, ou seja, ofendo-me se de alguma forma esta ofensa faz-me sentido naquele momento. "Só há uma pessoa que pode me ofender, aquela a qual eu concordo". Mas eu diria que a ofensa pode ir além disso. A culpa. A culpa pode ser uma ofensa pessoal. O que lhe dói mais: o preconceito do outro ou o seu próprio descontentamento consigo?

Veja só, comecei este texto comentando sobre a importância de reconhecer limites e potencialidades em nosso conhecimento. Não cabe a este texto discussões aprofundadas sobre culpa e superação, mas cabe uma breve provocação, uma chamada ao diálogo consigo mesmo: "o quanto a culpa afeta minha saúde hoje?" e, para além disto,  "o quanto a culpa  que às vezes coloco no outro, sobre o que este outro deveria ser e fazer, atinge a saúde dele hoje?". Cada cair seu é uma oportunidade para se levantar, cada cair de uma pessoa próxima a você é uma oportunidade para você dizer-lhe que ela também pode levantar-se. Após cada descontentamento, pode haver a chance de amadurecimento. Amadurecemos enquanto seres que interagem. A fraqueza do outro não é sua fraqueza, e você não precisa compreendê-la, basta não desmerecê-la. Da mesma forma sua fraqueza, os seus medos e culpas são importantes, dizem algo para você. Caso pareça que só você sente, isto não diminui a importância destes sentimentos em sua vida.

Olhe para seus medos, reflita amorosamente sobre eles. Desculpe a si próprio. Prosseguir exige desculpar-se.  Caia quando tiver que cair. Levante-se assim que conseguir, em seu tempo. Da mesma maneira, permita ao outro sentir os próprios medos, as próprias fraquezas e levantarem ao perceberem seus próprios poderes.  

Lembre-se: O que você sente é importante e tem um porquê. Valorize cada sentimento seu!

Fernanda Sabatini

Nutricionista









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