terça-feira, 2 de maio de 2017

Hora de pensar


O pensador, Rodin, 1904.
Fonte: reflexoesparatodos.blogspot.com.br/2014/11/pensador-auguste-rodin.html


Estamos passando por momentos difíceis em nosso país. Estamos em uma crise política, ética, de saúde, de direitos, enfim parece que teremos de repensar nosso país desde o começo. Estamos em um ponto que não dá mais para tentar não chegar enxergar o que está acontecendo, desde o descalabro dos políticos que deveriam estar nos representando nos poderes executivos e legislativos, a desconfiança quanto a real atuação do nosso poder judiciário até uma dicotomia da população que muitos insistem em dividir entre nós e eles, pobres e ricos e outras categorias mais.

Essa é a parte componente da crise política e da crise ética, sendo que a crise ética não é exclusiva de políticos mas também da população brasileira que, infelizmente, incorporou ao seu modo de pensar,o mote de uma propaganda realizada há muitos anos pelo jogador Gerson, propaganda esta do cigarro Vila Rica que dizia: "por que não levar vantagem em tudo?". Infelizmente esse modo de pensar passou a fazer parte de muitos em nossa população.

Quanto à crise da saúde esta está escancarada para quem queira observar. São pessoas deitadas pelos corredores dos hospitais, são planos de saúde que vão à falência e arrastam consigo os seus beneficiários, são tratamentos negados por falta de recurso, são judicializações para se conseguir medicamentos ou equipamentos de saúde, são juízes negando provimento a mandados de segurança para continuação de tratamento de pessoas com doenças raras, a bem dizer condenando essas pessoas à morte, embora aí tenhamos uma saída muito boa que é de questionar tal decisão no Supremo Tribunal Federal, visto a decisão ser inconstitucional, pois conforme nossa Constituição não existe, ainda, no Brasil, a pena de morte.

Com relação à crise dos direitos do povo brasileiro que estão sendo pouco a pouco retirados, estamos nos mobilizando para fazer valer aquilo que foi conquistado. A reforma da Previdência Social que na minha opinião deve passar por um amplo debate na sociedade antes de ser feita de forma açodada, até pode ser necessária, porém não nos termos em que se encontra colocada. Nessa reforma, muitos dos direitos adquiridos que na verdade são benesses colocadas até em Constituição por pessoas interessadas nos seus benefícios, deverão ser sim revistos para que pelo menos o princípio da isonomia seja atingido no Brasil. Direitos iguais, deveres iguais, coisa que hoje não é obedecida no país.

Não consigo entender aposentadoria após oito anos de mandato eletivo, não consigo entender aposentadorias com salário integral, muito acima do teto estabelecido para as pessoas que trabalham na iniciativa privada e outras distorções desse tipo. Com relação ao benefício de prestação continuada, o BPC, estão confundindo alhos com bugalhos, isto não é Previdência Social, isto é Assistência Social que deverá sim continuar a ser prestada às pessoas que dela necessitam, deficientes físicos e idosos. Deverá sim ter correção vinculada ao salário mínimo já que, como bem diz o nome, este é o mínimo que uma pessoa necessita para viver com dignidade e qualidade de vida.


Entendemos perfeitamente que o Estado não pode ser responsabilizado por tudo que ocorre no país, porém ele tem que cumprir as funções para as quais foi criado, ou seja, propiciar ao povo educação, saúde, segurança e dar condições à sociedade como um todo para poder desenvolver mecanismos econômicos para cada vez mais todos terem qualidade de vida. 

É hora de todos nós começarmos a questionar pessoas e instituições que nos oferecem milagres sem custo, benesses sem encargos, enfim, que nos oferecem o céu sem que tenhamos de levar uma vida correta. Na visão desses, mesmo o pior dos demônios é bonzinho e tem lugar no céu. Vamos parar de acreditar em contos de fada e enfrentar a realidade do mundo, onde somente por intermédio do trabalho, da honestidade e correção é que podemos conseguir progressos em nossas vidas.

Wilson Gomiero
Ativista social
Conselheiro do CONADE


Wilson Gomiero foi o primeiro presidente do Grupo do Alto Tietê de Esclerose Múltipla (Gatem), entidade oficializada em 2002, que contava com doze pacientes. Em 2004, com 28 pacientes, conseguiu do governo estadual uma sala para ser usada como sede e para atendimento de pacientes. Conquistou parcerias com laboratórios fabricantes de medicamentos. Em 2005, a Prefeitura de Mogi das Cruzes possibilitou a locação de uma residência para a sede do Gatem. Em 2006, atendia 64 pacientes na nova sede. O Gatem passou a promover anualmente um simpósio para estudantes e profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia e neurologia com o objetivo de informar e conscientizar sobre a esclerose múltipla e outras doenças raras do sistema nervoso central.Foi presidente do Conselho Municipal dos Assuntos da Pessoa com Deficiência de Mogi das Cruzes (2002 a 2006); presidente da Federação Brasileira de Associações Civis de Portadores de Esclerose Múltipla (Febrapem) (2008-2011); integrante da Comissão Organizadora da II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência; coautor do Manual para Criação de Conselhos Municipais, lançado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; membro da Comissão de Orçamento e Finanças do CONADE (2013-2014). É membro do Grupo de Trabalho para Elaboração de Políticas para Atendimento a Doenças Raras (desde 2011), membro da Comissão de Implementação das Políticas para Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência e conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), em Brasília, como representante de todos os Conselhos Municipais do Brasil. Ativista e defensor dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente dos portadores de esclerose múltipla e de doenças raras, Gomiero atua no grupo de trabalho do Ministério da Saúde, que produziu pela primeira vez na história do Sistema Único de Saúde (SUS), uma Política Nacional de Cuidados à Saúde para Pessoas com Doenças Raras e, também, no Plano de Ação para Saúde das Pessoas com Deficiência (2014/2021) da Organização Mundial de Saúde (OMS). Conselheiro Fiscal da ABCEM.


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