segunda-feira, 22 de maio de 2017

Podemos aprender a ter controle sobre nós mesmos?






Como os pacientes com Esclerose Múltipla  reagem ao saber que possuem uma doença grave?

Cada paciente responde de uma forma. Alguns demonstram  força interior e respondem bem ao tratamento, já outros se mostram angustiados e se entregam aos sintomas, como dificuldade no caminhar, desiquilíbrio, problemas na visão e incontinência urinária. 

Ao navegar pela minha rede social, me deparei com a frase “Ter EM na maioria das vezes é bem difícil... mas o melhor é que aprendemos a ter controle sobre nós mesmos”. Achei a postagem muito interessante e fui atrás do autor da postagem, o paciente com EM Milton Bernardes Filho, morador de Uberaba, Minas Geras, com quem fiz a seguinte entrevista:

Ivi Paula: Há quantos anos você foi diagnosticado com  Esclerose Múltipla?               

Milton e a namorada Bruna
Fonte: acervo pessoal

Milton Bernardes- Fui diagnosticado com Esclerose Múltipla há 8 anos, devido uma neurite óptica no olho direito. Mas antes disso já havia tido outra neurite no olho esquerdo e formigamento no braço e perna. Como acontece com a grande maioria, meu mundo veio abaixo... Consultas, mais consultas, pesquisas e mais pesquisas... Alguma coisa positiva? Sim! Que a EM não transmite e só.  

Ivi Paula – Como foi o início do seu tratamento?

Milton Bernardes- Comecei o tratamento com Rebif, 3 injeções por semana. Na perna, barriga, costas... Se dói? Quase nada! Era só colocar gelo antes nos locais da aplicação pra ver se ajudava em alguma coisa, deitar com 2 cobertas com um sol de verão por causa do frio, tomar remédios pra febre, dores, enjoo e dor de cabeça constantemente! :(Passa o tempo e as 7 lesões no cérebro se tornaram 19... Inúmeras internações de 1 semana para aplicação de corticóides... Resultado: cadeira de rodas! Foram 4 anos nessa luta e nenhuma melhora.

Ivi Paula – Vendo sua página nas redes sociais  você demonstra ser uma pessoa bem “humorada”. Ao saber que estava com EM) em algum momento que ela mexeu com seu estado emocional?

Milton Bernardes- Tive síndrome do pânico, cai nas escadas do prédio, na rua, no banco, no shopping... Chorei muito, sofri demais! Um dia no quarto do hospital, de cabeça baixa, em prantos, falei... Qual o sentido da vida?... O eco respondeu... A vida! Não sei se foi realmente o eco, mas nesse dia ganhei mais força e voltei à luta... Um belo dia encontrei um grupo que me aceitou de braços abertos... Fizeram-me acreditar que era possível, quando eu desanimava, me apoiavam.

Ivi Paula – Atualmente, qual é o remédio que você faz uso?

Milton Bernardes- Comecei a tomar 80.000 Ui por dia de vitamina D, 4 ml de manhã para beber.  Já é um grande avanço, nada de injeção! Um dia no primeiro mês, acordei e fui lavar o rosto... O quê?! Como assim?! Eu levantei?! Estou sonhando? Noooo!!!!!!! Eu levantei e desci as escadas do prédio sozinho e sem apoio!!!! Santa Vitamina D! Eu voltei à vida melhor que antes e mais forte!!!! #Vitaminado 80.000 Ui.

Ivi Paula – Você voltou a trabalhar normalmente?

Milton Bernardes- Eu trabalho por conta própria com manutenção e programação de computadores.

Ivi Paula –  Apesar de todos os problemas que você passou, como você se vê nos dias de hoje?
                                                                       
Milton Bernardes- Não tenho nenhuma sequela, é como se não tivesse EM (Esclerose Múltipla).. Me sinto renovado, renasci literalmente... Aprendi a dar valor a pequenas coisas... Aprendi que o impossível não existe... Cada passo, movimento que faço, é uma vitória, uma felicidade imensa... Há oito anos minha vida é um pé no chão e o outro no abismo, mas nada e nem ninguém pode me impedir de fazer qualquer coisa.

Ivi Paula
Jornalista


Ivi Paula, 34 anos, jornalista formada pelo antigo IMES e atual USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul). Diagnosticada com Esclerose Múltipla em dezembro de 2008. Atualmente é Secretária na ABCEM (Associação de Pacientes com Esclerose Múltipla do Grande ABC e região) . 

“Aproveito o momento e falo que tudo que passamos é um aprendizado de ver como reagimos ao saber que estamos com a doença. E o que fazemos para não se sentir uma pedra no meio do caminho? Em minha opinião para não se sentir assim é acreditar no que eu posso fazer para manter o avanço desta doença longe de mim".


(Ivi Paula)

Um comentário: