terça-feira, 6 de junho de 2017

Autoinclusão


Fonte: http://www.filosofiahoje.com/2014/01/inclusao-social-de-verdade.html

Estava pensando na falta acessibilidade para pessoas com deficiências ou com dificuldades motoras, como é meu caso. Fui diagnosticada com Esclerose Múltipla em 2007, mas somente em 2010 ela começou a mostrar pra que veio com toda força. Andei de bengala, depois passei pra andador, e agora estou com meu andador inseparável de rodinhas! Ele me faz andar mais rápido, mas ultimamente as pernas não têm ajudado e acabo indo devagar...

Sempre me dou mal com escadas, pois não tenho equilíbrio e não consigo levar o andador, me equilibrar e subi-las.  Para isso fizeram as rampas! Mas na maioria dos lugares que frequento elas não existem, motivo pelo qual  acabo evitando os locais. Aliás, acabo evitando vários lugares!

E quando existem rampas, mas elas são muito íngremes? Fiz dois anos da faculdade de arquitetura depois que terminei a faculdade de Publicidade e Propaganda, então sei que as rampas devem ter uma inclinação adequada. E as rampas que tem um degrauzinho para chegar até elas? Fico me perguntando como um cadeirante consegue usá-las. Então a inclusão para locomoção ainda tem muitas falhas!

E a inclusão no meio social? Hoje muita gente já tem conhecimentos sobre doenças e deficiências, mesmo assim ainda falta muito conhecimento por parte do povo (me incluo nisso).

E a inclusão que nós mesmos temos que ter conosco? Essa é a mais difícil. Demorei, quando comecei a ter mais dificuldade para andar, a me aceitar. Eu já me achava feia, não tinha mais meu ex-marido que foi embora alegando que nunca me amou. Não conseguia namorado. E ainda por cima vem uma esclerose múltipla que estava me impedindo de andar. Me aceitar já era complicado, acabou se tornando impossível, até o momento em que, lendo muito, ouvindo muito, refletindo muito, percebi que eu teria que me gostar e me aceitar antes de qualquer um. Como eu poderia exigir algo que nem mesmo eu fazia?

Em 2013, depois de me aceitar e me amar, arrumei um namorado que hoje é meu marido e cuida muito de mim. 

Hoje posso exigir dos outros, pois ME ACEITO e não tenho vergonha de pedir ajuda quando preciso. Me aceito com minhas limitações, com minhas imperfeições. Acima de tudo, me amo e não coloco a culpa na Esclerose Múltipla, nem nos outros, se algo não sai como eu queria. Aprendi a ter mais paciência comigo e a não desistir. Aprendi a INSISTIR dentro de minhas limitações.


Isamara Cardoso Pimentel



Publicitária aposentada por invalidez

Diagnosticada com esclerose múltipla desde 2007




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