quinta-feira, 29 de junho de 2017

Eu gosto mesmo é de gente doida


Fonte: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2013/02/cronica-da-loucura.html

Quantas vezes me deparei pensando nas doidices que já fiz na vida e se não era melhor eu ser mais comedida. São nesses pensamentos que consigo ver que nas doidices todas é que fui mais feliz, também foram nelas que me lasquei toda, mas no fim acabei dando muita risada.

Com o tempo fui aprimorando as doidices, sabe? Fui vendo que algumas coisas era preciso serem pensadas, medir alguns resultados, calcular os erros, análises de gente normal, mas sem perder a doidice.

Agora vamos falar sério, tem coisa mais gostosa que um doido na sua vida? Aquela pessoa que ri dos tropeços, que mede as consequências, sim, mas sem perder o bom humor, que te conta histórias engraçadas, que te coloca pra frente e te faz pensar de um jeito diferente e irreverente.

Esclerose Múltipla é uma coisa séria, algo pesado demais pra eu pensar de uma maneira tão “black”, jamais conseguiria por um sorriso no rosto se eu não equilibrasse as minhas próprias escleroses. Não sei se alguém já ficou magoado comigo, espero que não, mas cada amigo esclerosado que ganhei eu tratei de dizer: “Bem vindo esclerosadinho” rs. Claro que de uma maneira risonha e em tom de brincadeira, o intuito nunca foi ser relaxada com a tal esclerose, mas sim mostrar que podemos ser felizes com ela.

Credo, já passamos cada perrengue no dia a dia! Aquelas pulsos de corticoide sempre me tiraram do sério. Todo mundo aqui já sabe o que eu estou falando, afinal sentimos na pele aquele inchaço todo. É preciso ser visto de outra forma. Eu não sei se com alguém aqui é assim, mas, juro, a cada pulso de corticoide eu como um X-Tudo e depois dou risada da situação. Fico tão ansiosa e com tanta dor no estômago que parece que tenho fome de leão. Minha mãe não se conforma kkk.

A gente só precisa de um motivo pra chorar e um outro para sorrir, o motivo pra chorar eu já tinha, então a cada etapa eu encontrava um motivo pra sorrir, aliás, gargalhar.

Eu me lembro que uns dois meses depois de sair do meu maior surto, que me deixou sem andar por um tempo, eu tinha um “casório” de uns amigos para ir, eu poderia me deixar levar por aquela cadeira de rodas que eu mal conseguia manobrar, poderia ter me deixado levar pela descoberta de uma doença autoimune e ficar arrasada. Não fiz nada disso, arrumei um vestido e fui pra festa e, a melhor parte, todos os meus amigos me levaram pra pista de dança com cadeira e tudo, até aquelas pulseirinhas de neon foram colocadas nas rodas. Ninguém me olhou com cara de piedade, eu entrei na dança literalmente, mostrei para mim mesma que a situação era transitória e por, consequência, todo mundo percebeu isso. Sei que é uma falta de educação, mas eu brilhei mais do que a noiva kkkkk, aliás, ela também dançou comigo na pista de dança.

Eu espero que estejam me achando bem doidinha (rs), o que não tem nada a ver com inconsequente, pois também sei ser a maior “careta” das pessoas.

A questão é não misturar as estações. Ser uma pessoa responsável e equilibrada, que sabe se comportar em qualquer lugar, não implica em ser uma pessoa infeliz, sem rir dos erros e encontrar um motivo para felicidade.

Sim, basta um motivo, um simples motivo para potencializar a alegria de viver, o que não significa também viver numa utopia sem fim.

Pode apostar que tem, com certeza, alguma coisa que pulsa aí dentro do seu peito e que te enche o coração de esperança.

Aliás, pra terminar o post, vou falar uma coisa que aprendi sobre esperança. Esperança vem do verbo esperançar, que significa almejar, sonhar, buscar e agir, o que é completamente contrário de esperar. Então, vamos ter esperança e almejar estar em uma situação melhor, sonhar com uma melhora progressiva na vida, buscar mais meios para concretizar os sonhos e, de vez em quando, agir naquela doidice que falei até agora pouco.

Não espere, comece isso agora!


Paz e bem e até o próximo post!

Máyra Macedo
Youtuber e apresentadora de TV




Máyra Macedo, 40 anos. Mãe de 3 filhas, Giulia, Gabriela e Pietra, com 17, 15 e 10 anos, respectivamente. Formada em Logistica, Pós-graduada em Gestão de Açúcar e álcool pela UFSCar. Youtuber do canal Faça Quase Tudo . Apresentadora de TV na TV Cultura Paulista (Quadro Faça Quase Tudo, no programa Universo Mais). Figurinista dos espetáculos Quebra-Nozes e Frozen da escola de ballet Renata Canova. Decoradora e personal organizer.


2 comentários:

  1. É isso mesmo ! Já temos motivos de sobra pra chorar ... Vamos arrumar motivos para rir : que tal começarmos por nós mesmas ? rs

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