quinta-feira, 27 de julho de 2017

Esclerose múltipla & gravidez


Fonte: maemequer.pt/estou-gravida/saude-e-bem-estar/complicacoes-na-gravidez/

É mais que normal que existam dúvidas sobre gravidez, parto, uso dos medicamentos para controle e evolução da doença quando a mulher tem esclerose múltipla.

Há até algumas poucas décadas, desencorajavam-se que as mulheres com a patologia engravidassem.  Mas "hoje sabemos que a esclerose múltipla não tem contraindicação para a gravidez, e que a gravidez não influencia negativamente a esclerose múltipla. Na verdade, as mulheres que engravidaram durante o curso da esclerose múltipla parecem ter melhor evolução da doença do que aquelas que não engravidaram. A gravidez teria, portanto, um papel inclusive protetor sobre as mulheres com esclerose múltipla", afirma a neurologista Yara Dadalti Fragoso.

O ideal seria que a paciente estivesse sem surtos e sem alterações nas imagens da ressonância magnética há no mínimo dois anos antes de engravidar, pois, de acordo com a Dra. Yara, neste caso "talvez se possa parar a medicação de uma paciente que queira engravidar para que ela tenha a concepção sem efeito de nenhum remédio. No entanto, havemos de convir, esta situação é muito rara. Nem toda gravidez é assim planejada e nem todas as pacientes estão assim tão estáveis que possam ficar sem tratamento tentando uma gravidez".

Geralmente, à grávida com EM é recomendado pausar as medicações, pois há significativa redução de surtos durante a gravidez. Segundo a neurologista Yara Dadalti Fragoso "raros são os casos em que os neurologistas precisam utilizar tratamento para evitar ou tratar surtos em mulheres grávidas, mas é preciso que a paciente esteja ciente que o risco não é zero".

Algumas gestantes podem necessitar de tratamento durante durante o período de gravidez por apresentarem um quadro de EM mais difícil de ser controlado. Para Dra. Yara, "Nestes casos, cabe ao médico neurologista utilizar medicamentos conhecidos há mais tempo e relatados como sendo seguros na gravidez. Nenhum medicamento é ideal nesta situação, mas existem tratamentos de baixo risco que podem ser utilizados se necessário for"

Por outro lado, é fundamental que a mulher seja cientificada de que nos primeiros meses após o parto existe o aumento do risco de surtos. Cientificamente, não há comprovação de que o uso de corticoides ou imunoglobulina após o término da gestação impeça a ocorrência de surtos. No entanto, a amamentar exclusivamente "parece proteger a paciente dos surtos nesse momento inicial de sua vida ao lado de seu bebê", afirma Dr. Yara.

Drogas como Interferon Beta (atualmente existem 13 DMTs aprovados, com diferentes graus de eficácia e de riscos na redução, recaídas e preservação da função neurológica) e Natalizumab (Tysabri)  devem ser interrompidas alguns meses antes da concepção. Estudo recente sugere que se deve aguardar dois meses após interromper o uso do Fingolimode para engravidar.


Por fim, a tomada de decisão compartilhada entre a paciente e seu médico é a melhor abordagem para o seu plano de tratamento e de gravidez. Cada situação é única e a melhor abordagem é a medida das necessidades específicas de cada mulher com EM.

Ricardo Cezar Carvalho
Fisioterapeuta

Fontes:

http://www.abcesclerosemultipla.com.br/2017/04/mulher-fases-e-esclerose-multipla.html
http://esclerosemultipla.com.br/2013/09/24/gravidez-e-esclerose-multipla/





Sou Ricardo Cezar Carvalho, fisioterapeuta, especialista em neurologia funcional e especialista em acupuntura. Trabalho com pacientes com Esclerose Múltipla há 16 anos. Realizei vários congressos e palestras sobre a Fisioterapia na Esclerose Múltipla.






Um comentário:

  1. linda matéria e bem explicada, eu sou portadora de esclerose múltipla há 5 anos ainda não fui mãe mas pretendo.

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