terça-feira, 18 de julho de 2017

Somos seres que convivemos para viver


Fonte: imdp.com. Cena do filme "Comer, Rezar, Amar", 2010.
A palavra "conviver" expressa a ideia de viver junto, em intimidade. O viver em intimidade pressupõe conflitos de pensamento, e também apoio e presença. Muitas vezes quando o diagnóstico da Esclerose Múltipla (EM) vem, muitos familiares/amigos que antes conviviam e somavam, passam a distanciar-se emocionalmente ou corporalmente. Este texto é uma tentativa de promover àqueles que não têm a EM um olhar não para a influência da EM nas situações de convivência, mas o contrário: a influência da convivência na situação da EM.

Fonte: Valentina Fraiz, folha.uol
O que lhe impede de conviver com a esclerose múltipla na pessoa que você ama? Por que não descobrir o motivo? Há profissionais incríveis da psicologia para lhe ajudarem nesse processo. O sentimento de medo provavelmente pode ser um dos motivos de afastamento, e imagino que seja este medo natural. Contudo, ao atrapalhar o viver em intimidade, gera um obstáculo de amadurecimento tanto seu quanto da pessoa que você ama. Na convivência, conhecemo-nos, tornamo-nos parceiros e geramos transformação.

A mesa das refeições, veja só, pode ser uma alternativa importante para essa convivência. 

Há várias discussões importantes na área da saúde que mostram o significado do comer junto na construção da identidade familiar, por exemplo.¹,² Isto, inclusive, com efeitos na saúde física e emocional de indivíduos.² Há uma palavra chamada "comensalidade", que significa conviver à mesa, dividindo comida, espaço e tempo. Na mesa da refeição, temos a oportunidade de olhar no olho, de perguntar como foi ou como pretende que seja o dia, de descobrir mais sobre a pessoa que está conosco e de ser fonte de presença, intimidade, companheirismo e paciência (é, conviver exige paciência). As refeições são rituais importantes historicamente (desde a pré-história) de convivência. Usufrua mais deste momento, pois transformações e amadurecimentos importantes poderão ser cultivados.


Fernanda Sabatini
Nutricionista

Referências:
1. Romanelli G. O significado da alimentação na família: uma visão antropológica. Medicina (Ribeirão Preto) 2006; 39 (3): 333-9.

2. Moreira SA. Alimentação e comensalidade: aspectos históricos e antropológicos. Cienc. Cult. 2010; 62( 4 ): 23-26.



Nutricionista graduada pela Universidade Federal de São Paulo. Membro do Grupo de pesquisa em alimentação e cultura (GPAC) e mestranda em Nutrição em saúde pública, na USP - Universidade de São Paulo.




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